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Têxteis. Como eles (e elas) brilham na Alemanha

Michael Trammer / Pacific Press / LightRocket via Getty Images

Empresas lusas ganham 36 prémios na maior feira de desporto do mundo. Onze são da Island Cosmos, de Fernanda Valente

A Ispo, a maior feira de artigos desportivos do mundo ainda não começou, mas os têxteis portugueses já estão a contabilizar prémios e recordes com produtos técnicos e funcionais que prometem tornar a roupa do futuro mais leve, confortável, amiga do ambiente.

Ao todo, as empresas portuguesas arrecadaram 36 galardões no fórum Ispo Textrends, 11 dos quais são da jovem empresa de Matosinhos Island Cosmos, liderada por Fernanda Valente, que sucedeu ao pai na Fernando Valente, fundada em 1977, mas quis, também, lançar um projeto próprio, direcionado para nichos de mercado mais técnicos, onde pode desenvolver o seu gosto por produtos inovadores.

Decidida a cruzar têxteis e tecnologia para "responder a necessidades concretas com soluções de fácil manutenção e confortáveis", a empresa criou a Island Cosmos há menos de três anos, conseguiu cinco distinções na sua estreia na Ispo, em 2017, e este ano chegou às 11, com destaque para o título de "Best Product" conquistado por uma malha tricotada em lá com um revestimento de poliuretano à prova de água e de vento, respirável, isolante e muito leve.

"Não pesa mais de 150 gramas /metro quadrado. É um produto natural, sustentável e uma peça completa (blusão), já com fechos e tudo, não pesa mais de 400 gramas", explicou ao Expresso a empresária, que já despertou o interesse dos correios na Suíça para esta solução, desenvolvida internamente na sua pequena empresa, com seis trabalhadores, sublinhando que as têxteis lusas acumulam 20% dos prémios atribuídos nesta mostra.

Energia, calor, cortiça

Na Inovafil, empresa participada da Mundifios, o trunfo para ficar selecionada entre os melhores é uma malha com uma base de fibra amiga do ambiente e características técnicas que garantem a absorção de energia (do sol) e a sua transformação em energia térmica para gerar calor e aquecer quem a usa. O seu mercado natural, diz o administrador Rui Martins, serão os desportos de inverno e vestuário para atividades ao ar livre.

A Heliotextil, outra das empresas distinguidas, triunfou com o prototipo de um casaco produzido pela Damel confeções onde integrou um sistema de aquecimento para ambientes extremos. Aqui, o que está em causa são "bandas de aquecimento impressas, alimentadas por um controlador desenvolvido para o efeito" e "sensores de temperatura que monitorizam a temperatura corporal, permitindo que o sistema se auto-regule, com garantias de conforto e autonomia", refere o diretor de inovação, David Macário.

Na Tintex, com nove prémios, uma das estrelas é o B.cork, também distinguido com o título Best Product na categoria de Soft Equipment. Mario Jorge, presidente-executivo da empresa de Vila Nova de Cerveira, apresenta esta solução como "o ingrediente adicional à abordagem da Tintex à economia circular, suportado por uma tecnologia de ponta".

Neste caso, diz, tudo começa no "sourcing direto de desperdício pré-consumido de cortiça, do produtor certificado Sedacor". Depois, a sua empresa "formula uma nova aplicação de alta-tecnologia", com um revestimento de base aquosa que utiliza um polímero isento de formaldeído e de solventes. O resultado é um produto com "um toque natural e suave", respirável e à prova de água para ser aplicado em malhas e tecidos.

Um rácio único

Além dos prémios, há mais dois números que ficam na história do evento, a decorrer de 28 a 31 de janeiro, numa iniciativa da Associação Selectiva Moda e do Citeve - Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário: esta edição regista um recorde de 44 empresas portuguesas, com uma área de exposição de mais de mil metros quadrados.

"O rácio entre prémios recebidos e empresas portuguesas representadas é muito superior ao de outros países", sublinha Paulo Melo, presidente da ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. Para ele, este é um indicador "da importância do trabalho desenvolvido (em Portugal) no campo dos têxteis de alta tecnicidade orientados para a área do desporto".

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que tem acompanhada a presença das empresas têxteis portuguesas em alguns eventos internacionais, vai visitar a Ispo no domingo, numa altura em que a fileira celebra um valor recorde de 5,2 mil milhões de euros nas exportações em 2017, de acordo com as estimativas da ATP.