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Parque de diversões decisivo na compra do Dolce Vita Tejo

O Dolce Vita é o maior centro comercial de Portugal, com 104 mil metros quadrados e 300 lojas

FOTO JOSÉ CARIA

Antigos donos vão continuar a desenvolver o projeto, que está em curso desde 2015

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O anúncio chegou logo na segunda-feira de manhã. O centro comercial Dolce Vita Tejo — o maior de Portugal e um dos maiores da Europa — foi vendido por €230 milhões a um fundo de origem francesa, a AXA Investment Managers — Real Assets. O valor impressiona porque, mesmo estando abaixo dos €300 milhões pelos quais estaria à venda — segundo o Expresso noticiou no início do ano passado —, é superior aos €170 milhões que pagaram as gestoras de fundos norte-americana Baupost e espanhola Eurofund há três anos, quando o compraram à falida Chamartín. Mas existe uma justificação.

Está em curso um grande processo de reabilitação do centro que tem como objetivo transformá-lo num shopping resort com 5 mil metros quadrados que, além de novas lojas âncora, uma nova entrada, mais visibilidade e melhores acessos para transportes públicos, incluirá um espaço de diversões com um parque aquático, um parque temático, jogos de realidade virtual e simuladores de voo. “Este desenvolvimento, juntamente com o excelente know-how da Eurofund para este tipo de projeto, foi essencial para nós”, diz ao Expresso fonte da AXA.

De facto, este conceito não é estranho para a Eurofund. A empresa já o fez no Centro Comercial Puerto Venecia, em Saragoça, Espanha, que até recebeu um prémio em 2013. E é este tipo de conceito que todas as consultoras dizem ser o futuro dos centros comerciais, ou seja, juntar lojas e zonas de lazer e de experiências. Aliás, o diretor do departamento de gestão de ativos da AXA Ibérica, Hermann Montenegro, diz no comunicado enviado na segunda-feira que estão “empenhados em criar a próxima geração de centros comerciais, tendo em conta as novas tendências de consumo”.

Não é por isso de estranhar que a Eurofund e a Baupost se mantenham responsáveis pelas obras, mesmo já não sendo proprietárias do Dolce Vita. “A Eurofund e a Baupost continuarão, respetivamente, a atuar como operador e gestor do projeto até ele estar concluído”, pode ler-se no comunicado da AXA. O que não é ainda claro é quem pagará essas obras, que estão estimadas em €70 milhões e deverão estar concluídas em 2019, criando cerca de mil postos de trabalho diretos e indiretos. Contactada, a AXA escusou-se a responder a essa questão, dizendo apenas que “os detalhes do acordo são confidenciais”. É por isso que, segundo o novo diretor do departamento de investimento da Cushman & Wakefield, Paulo Sarmento, “o valor anunciado tem de ser analisado com alguma prudência”.

Por esclarecer ficou também se a AXA pretende mudar o nome do centro comercial. “Ainda é cedo para comentar nesta fase”, diz Sarmento ao Expresso. Em contrapartida, ficou claro que, depois de ter abandonado Portugal em 2013, a aposta no mercado nacional é para manter. “A aquisição, que é atualmente o único ativo da AXA Investment Managers — Real Assets em Portugal, marca a reentrada num mercado no qual estamos interessados. Continuaremos, por isso, a olhar para oportunidades de investimento que possamos explorar além de centros comerciais”, diz ao Expresso fonte da empresa.

Ano começa bem

A venda do Dolce Vita Tejo foi a primeira do ano e, por €230 milhões, é já uma das maiores. “Será seguramente uma das mais importantes, mas haverá provavelmente outras, tanto de venda de ativos individuais como de portefólios, que ultrapassarão este valor”, salienta Paulo Sarmento.

Uma delas será a venda do Sintra Retail Park, do Fórum Sintra e do Fórum Montijo, uma operação que poderá valer €400 milhões, segundo noticiou o “Jornal de Negócios” esta semana e que está praticamente fechada, estando apenas a faltar a luz verde da Autoridade da Concorrência (AdC), conforme consta de um aviso publicado a 16 de janeiro. O vendedor é a norte-americana Blackstone, que comprou estes ativos à Multi Development em 2013, e o comprador é a Immochan, a imobiliária da Auchan, que detém os supermercados Jumbo e os Alegro de Alfragide, Setúbal e Castelo Branco. E depois “é altamente provável que o Almada Fórum seja transacionado ainda este ano, uma vez que fazia parte do mesmo pacote de centros comerciais colocados no mercado pela Blackstone”, revela Paulo Sarmento. Note-se que só este centro pode valer uns €450 milhões.

Ou seja, 2018 tem tudo para correr bem em termos de negócios de investimento, até porque o arranque está a ser particularmente positivo. Além das duas operações já anunciadas — Dolce Vita e Fórum —, há ainda uma outra concretizada: “A aquisição por parte da Blackstone de um portefólio ibérico de plataformas logísticas do grupo Dia e no qual se inclui uma plataforma logística em Alverca.” Mas haverá mais e “não só na área de centros comerciais”, apesar de estes serem “um ativo imobiliário de excelente performance em Portugal”, com uma “qualidade média muito elevada” e “gestão muito profissional”, comenta Paulo Sarmento. De acordo com os estudos já divulgados por várias consultoras imobiliárias, além dos shoppings, os investidores estão muito atentos a lojas e escritórios, mas também a ativos para reabilitar. Tão atentos que as estimativas apontam para que os valores de investimento em ativos imobiliários comerciais atinjam os €2,6 mil milhões em 2018.