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Consultoras apostam cada vez mais na arquitetura

A sede da Bold International, no Parque das Nações, foi um dos projetos realizados pela Worx

d.r.

Maior parte do negócio é para escritórios e lojas

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

É um daqueles negócios que surgem mais ou menos por acaso, mas que depois começam a crescer quase todos os anos e se tornam uma aposta da empresa. Falamos dos departamentos de arquitetura e obras das consultoras imobiliárias que, segundo contam ao Expresso, ganharam mais importância nas contas ao sabor dos pedidos dos clientes que os escolhiam para mediar o arrendamento de um escritório ou de uma loja e que precisavam de uma reabilitação.

“Foi surgindo naturalmente e de forma complementar aos restantes serviços imobiliários que já disponibilizávamos, e que curiosamente acabou por se concretizar numa altura em que as áreas não transacionais começaram a ganhar mais peso nas empresas de imobiliário. Muitos dos clientes que procuram os nossos serviços noutras áreas, quando surgia a necessidade de avançar para a fase de projeto e de obra solicitavam-nos serviços também nessa área. Identificámos uma oportunidade de crescimento através dessa diversificação e, passados estes anos, os resultados confirmam que foi a aposta certa”, conta ao Expresso o diretor-geral da JLL, Pedro Lancastre.

De facto, já se passaram alguns anos, quase dez. Foi em 2009 que esta consultora imobiliária — na altura ainda se chamava Jones Lang LaSalle — começou a prestar mais serviços de arquitetura e construção que, poucos anos depois, passaram para a alçada da Tétris, uma empresa do grupo JLL. “Em 2009 fechámos o primeiro ano de atividade a faturar €1,5 milhões e, no espaço de nove anos, estamos com uma faturação na ordem dos €30 milhões”, o que representa um crescimento de 20% face a 2016, conta Pedro Lancastre. Aliás, 2017 foi o melhor de sempre, nota.

“Só no ano passado executámos mais de 100 obras, distribuídas de forma semelhante entre projetos de escritórios e de retalho, incluindo clínicas e hospitais”, acrescenta. Em Lisboa, foi o caso das lojas JNcQuoi e Versace, na Avenida da Liberdade; da remodelação do restaurante Vela Latina, em Belém; da loja da Adidas, nos Restauradores; da loja O Mercado, no Aeroporto de Lisboa; ou das sedes da José de Mello Saúde, Bakinter, BNP Paribas e da sociedade de advogados da Linklaters. No Porto, há o caso da sede da Natixis.

Crescer a dois e três dígitos

A Worx também começou cedo a desenvolver projetos de arquitetura, em 2005, mas foi o crescimento que tiveram nos últimos dois anos que ditou que, em 2017, criassem uma nova empresa chamada Done. “O volume de negócios mais do que duplicou, bem como o número de projetos, muito por influência de multinacionais que revitalizaram e reformularam métodos de trabalho”, explica ao Expresso fonte da consultora.

Foi o que se passou com a Atlas Copco que a Worx colocou no Lagoas Park e onde implementou o conceito ABW (activity based work), “onde se destaca a importância das cores na associação de comportamentos em ambientes”, explica a mesma fonte. Ou com a Hiscox, instalada nos escritórios do Atrium Saldanha. Aqui foi criado “um espaço que privilegia o relacionamento de equipas de várias nacionalidades e a integração de obras de arte na decoração da empresa, bem como o mobiliário de luxo”.

A CBRE entrou um pouco mais tarde neste tipo de negócio. “O primeiro projeto que o departamento de Building Consultancy da CBRE realizou foi em 2014, um projeto de arquitetura de interiores para o escritório da AGS no Lagoas Park, com um total de 700 m2”, diz ao Expresso o responsável por este departamento, Nuno Gameiro, assinalando que o crescimento tem estado a ser assinalável em número, faturação e área intervencionada. “Quando se inicia uma atividade é natural que o crescimento seja muito elevado, como tem acontecido nos últimos anos em que temos crescido a três dígitos desde 2014. No último ano triplicámos a nossa atividade com um crescimento de 160%, que representa 10% da faturação da CBRE”.

Para Nuno Gameiro, a procura crescente por este tipo de serviços nas consultoras em vez de nos gabinetes de arquitetura está relacionado com a visão que têm de todo o projeto. “Um projeto de arquitetura nunca pode estar dissociado da viabilidade comercial do imóvel, tem sempre um plano de negócios subjacente que pretende incrementar a rentabilidade desse mesmo imóvel”, repara. A prová-lo estão projetos que fizeram como a remodelação das zonas comuns e dos food-courts dos centros comerciais Nosso, em Vila Real, Alma em Coimbra e Alameda Shop & Spot, no Porto e ainda no Fórum Aveiro. Ou para sedes de empresas como a farmacêutica Merck, da OLX ou da Hostel World, alguns deles “de uma dimensão já muito significativa ultrapassando os 5000 m2”, nota Nuno Gameiro.

Lojas, escritórios e… casas

A Cushman & Wakefield também tem trabalhado nesta área desde 2003 e além da arquitetura para escritórios e lojas, também têm feito projetos na área residencial, mas principalmente na área da coordenação e fiscalização de obras, como foi o “caso da gestão de obra da Destilaria de Álcool Residences, em Gaia”, ou “mais recentemente das obras de reabilitação urbana para um edifício na Rua Augusta”. Mas é para escritórios e lojas que estas consultoras são mais procuradas. A Cushman, por exemplo, trabalhou para edifícios na Rua do Instituto Industrial e na Avenida 24 de Julho. Já a Worx fez projetos para a Nos, para a PwC ou Santander.