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Trump convidou o mundo dos negócios a investir nos EUA

FABRICE COFFRINI/GETTY

"É o momento ideal para trazerem o vosso negócio para os Estados Unidos", disse o presidente Donald Trump esta sexta-feira no discurso de fecho do World Economic Forum em Davos, onde foi apresentado pelo fundador do evento como o campeão de uma "reforma fiscal histórica"

Jorge Nascimento Rodrigues

A América é um "lugar especial" e agora é "o momento ideal para trazerem o vosso negócio para os Estados Unidos", disse Donald Trump na sua intervenção, muito aguardada, no fecho do World Economic Forum (WEF) em Davos.

Apresentado como o campeão "de uma reforma fiscal histórica" pelo fundador do Fórum, Klaus Schwab, o presidente norte-americano aproveitou a deixa para promover o 'choque fiscal' de corte de impostos recentemente aprovado pelo Congresso.

Salientou que o pacote fiscal não vai só engordar os cheques dos trabalhadores americanos no final do mês e trazer de volta a casa milhares de milhões de dólares de investimento das próprias multinacionais norte-americanas, como cria "a melhor altura para crescer nos EUA".

A revisão da regulamentação é outro pilar da estratégia desta Administração que pretende melhorar o ambiente competitivo e afirmar no marketing internacional o lema de que "a América é o lugar para fazer negócios". Trump acusou a anterior legislação regulatória existente no seu país de ser uma espécie de "imposto furtivo" alimentado por "burocratas não eleitos".

Reciprocidade e bilateralismo, mas com uma eventual exceção

Depois do convite aos homens de negócio, o presidente recordou aos chefes de governo o pilar da política comercial que o seu lema de "America First" implica.

O objetivo da sua Administração é "reformar o sistema do comércio internacional", na base de duas mensagens simples: as trocas têm de ser "recíprocas" e baseadas sobretudo "em acordos bilaterais". Repetiu que é esse o seu entendimento de "comércio livre" à escala mundial, condenando as "práticas predatórias que estão a destruir os mercados globais", por exemplo através do roubo "massivo" de propriedade intelectual ou de subsídios à indústria. Críticas que são entendidas como dirigidas à China. Deixou, também, um recado no campo da energia: "Nenhum país deve ficar refém de um só fornecedor".

Mas, Trump abriu uma porta a "talvez" negociar multilateralmente "em grupo", o que foi interpretado como dirigido à Ásia. A sua Administração rompeu com a Parceria Transpacífico e o presidente norte-americano pode estar a reabrir, agora, a porta, o que, também, pode ser inferido da sua entrevista à CNBC dada em Davos.

Desde 2000, depois da presença de Bill Clinton, que nenhum outro presidente norte-americano veio ao Fórum de Davos. Trump acabou por ser a 'estrela' do evento deste ano, tal como o presidente chinês Xi Jinping o fora no ano passado ao afirmar-se como campeão da globalização contra os riscos do protecionismo e do unilateralismo que se adivinhavam com a vitória de Trump nas eleições presidenciais norte-americanas.