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Lucros do Bankinter sobem apenas 1% para €495,2 milhões

Sem a operação em Portugal, o resultado líquido do banco espanhol teria aumentado em 20%. Em Portugal, os lucros líquidos foram €22,9 milhões

Maria João Bourbon

Maria João Bourbon

Em Madrid

Jornalista

O Bankinter terminou 2017 com um lucro de €495,2 milhões, o que representa um crescimento de 1% face a 2016, ano em que o banco espanhol comprou a atividade do Barclays em Portugal. Os resultados antes de impostos foram de €677,1 milhões.

No entanto, olhando apenas para Espanha (sem considerar resultados extraordinários e o negócio em Portugal), os resultados líquidos teriam aumentado 20,2%, em vez de 1%.

A operação portuguesa, cujos resultados líquidos foram de €22,9 milhões, teve um aumento de 24% nos custos operacionais, que se situavam o ano passado em €87,1 milhões. Mas Portugal representa um contributo de 7% para as receitas do grupo.

"Estes resultados significam que Portugal foi capaz de compensar de forma orgânica, com atividade regular com os seus clientes, os resultados de 2016 que incluíam resultados extraordinários contabilizados devido à operação de compra do Barclays em Portugal", sublinha o banco espanhol em comunicado. O Bankinter comprou a atividade do Barclays em Portugal por €86 milhões, em abril de 2016.

O banco chegou a 31 de dezembro com uma rentabilidade sobre o capital investido (ROE) de 12,6% e um rácio de capital CET1 "fully loaded" de 11,46% e CET1 "phased in" de 11,83%, "seis pontos base mais que em 2016 e muito acima das exigências do BCE aplicáveis em 2018 para o Bankinter".

Crédito às empresas sobe 21%

A margem financeira do grupo foi de €1.062 milhões (+8,5%) e do Bankinter Portugal situou-se nos €100,9 milhões.

A concessão de crédito em Portugal aumenta 6% para €4.800 milhões, destacando-se o crédito a empresas com uma subida de 21%. Já os recursos de clientes mantêm-se nos níveis registados em 2016, situando-se nos €3.600 milhões, e os recursos fora de balanço (fundos de investimento e unit linked) tiveram um aumento de 25%.

A banca de empresas deu a maior contribuição para a margem bruta do banco. O aumento em 5,2% da carteira de crédito a empresas foi a principal alavanca do crescimento do banco liderado por Maria Dolores Dancausa: em 2017, o banco atingiu os €22.900 milhões em crédito e captou 18.600 novos clientes.

Na banca comercial, destaca-se a evolução da banca privada, cujo total de clientes representa mais 12% que em 2016 (totalizando €35 mil milhões), e banca de particulares, que conseguiu captar €2.300 milhões de património líquido este ano.

O banco, pioneiro na introdução da banca à distância, revela ainda que, do total de clientes, 91% usam os canais digitais, dos quais 31% de forma exclusiva e 60% de forma mista. Apenas 9% estabelecem a sua relação com o banco através das agências ou telefone.