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Forte onde Salazar passava férias vai a tribunal por estar ao abandono

O forte de Santo António da Barra em São João do Estoril, onde Salazar caiu da cadeira, foi alvo de uma providência cautelar por parte do Fórum do Património. O objetivo é a tomada de "medidas urgentes" para travar a degradação deste património histórico

Deu entrada ontem, 24 de janeiro, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra uma providência cautelar relativa ao Forte de Santo António da Barra, em S. João do Estoril, no concelho de Cascais, subscrita quatro associações agregadas no Fórum do Património: a APAC (Castelos), a APCA (Casas Antigas), a ACC (Cascais) e o GECoRPA (Grémio do Património).

Foi ali que Salazar protagonizou o célebre episódio da queda da cadeira, e também foi o forte de verão do Instituto de Odivelas. "O edifício, classificado como imóvel de interesse público, encontra-se presentemente num estado de total abandono e tem sido objeto de repetidos atos de pilhagem e vandalismo", descreve o Fórum do Património.

O objetivo da providência cautelar, segundo esta entidade, é "travar o processo de degradação de um bem cultural em situação de abandono" e integra-se na estratégia que está a ser posta em prática pelo Fórum do Património de, sempre que necessário, invocar os instrumentos legais e regulamentares aplicáveis e exigir o seu cumprimento, contribuindo, desse modo, para a salvaguarda do património cultural construído".

Um forte que data do início da ocupação filipina

O Fórum do Património frisa que o forte em São João do Estoril "data do início da ocupação filipina e teve um papel de relevo no âmbito da Restauração, constituindo uma peça importante do sistema de defesa marítima de Lisboa". E também que durante o Estado Novo, o forte de Santo António da Barra teve "uma notoriedade adicional por ser utilizado por Salazar como residência de verão".

Com esta iniciativa, as associações subscritoras pretendem "obrigar os três ministérios com responsabilidade sobre o edifício a tomarem com urgência medidas que permitam acautelar o valioso património histórico que ele encerra".