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Euro acabou por valorizar marginalmente no dia em que Draghi atacou manipulação do dólar

Depois de ter chegado a subir para um máximo de mais de três anos face ao dólar reagindo às palavras duras de Mario Draghi contra a Administração Trump, a moeda única acabou por valorizar apenas 0,05% esta quinta-feira. Registando um pico acima de 1,25 durante a conferência de imprensa do BCE, o euro acabou por fechar em 1,241 dólares

Jorge Nascimento Rodrigues

O euro acabou por valorizar face ao dólar apenas 0,05% esta quinta-feira, apesar de ter atingido um pico de mais de três anos, acima de 1,25 dólares, aquando das críticas muito duras de Mario Draghi contra a linguagem da Administração Trump advogando um dólar fraco no curto prazo.

Tendo encerrado na quarta-feira em 1,2408 dólares, o euro acabou por fechar pelas 21 horas (hora portuguesa) de hoje marginalmente acima, em 1,2415.

Draghi proferiu o ataque à manipulação do dólar pela equipa de Trump durante a conferência de imprensa em Frankfurt que encerrou a reunião do conselho do Banco Central Europeu (BCE) em que se decidiu deixar na mesma a política monetária expansionista ainda em curso na zona euro.

O presidente do BCE acusou, sem o nomear, o secretário do Tesouro norte-americano Steve Mnuchin por violar recentemente as regras acordadas em outubro do ano passado durante a assembleia anual do Fundo Monetário Internacional no sentido dos responsáveis políticos evitarem uma linguagem que resvale para a defesa da competitividade cambial.

Trump "corrige" Mnuchin em Davos

Mnuchin ressaltou esta semana os benefícios no curto prazo de um dólar fraco, parecendo expressar o abandono na linguagem de uma política oficial de dólar forte que dura há 23 anos atravessando várias Administrações norte-americanas. As palavras do secretário do Tesouro provocaram, então, uma queda de 2% no índice do dólar.

Entretanto, já depois das críticas de Draghi, o presidente Donald Trump disse hoje, em Davos, numa entrevista exclusiva à CNBC, que as palavras do seu secretário do Tesouro tinham sido mal interpretadas, retiradas do contexto. Afirmou que acha "que o dólar será cada vez mais forte e, em última análise, eu quero ver um dólar forte".

Euro valorizou 3,5% face ao dólar desde dezembro de 2017

A apreciação do euro face ao dólar não é, contudo, recente. A moeda única, depois de ter caído para um mínimo, quase na paridade com o dólar, em dezembro de 2016, iniciou uma trajetória ascendente que dura há mais de um ano. E, desde o final do ano passado, o euro valorizou 3,5% face ao dólar. Na sessão de hoje, durante trinta minutos, subiu quase 1% até ao máximo de 1,2536 dólares, para depois descer.

Draghi reafirmou que o BCE está a monitorizar esta "volatilidade" do euro, pois um dólar excessivamente fraco tem um impacto exógeno na trajetória da inflação na zona euro, implicando um efeito desinflacionista que atrasa a subida sustentada da inflação na zona euro em relação à meta de 2%, atrasando a descontinuação da política monetária expansionista.

A preocupação atual do BCE centra-se na apreciação excessiva face ao dólar, já que em relação ao conjunto do cabaz de divisas dos 19 principais parceiros comercias da zona euro, a moeda única apenas se valorizou 0,6% desde o final do ano passado.

Em termos de um horizonte mais longo em relação ao cabaz de 19 divisas, depois de uma fase de depreciação na ordem de 21% entre novembro de 2009 e março de 2015, o euro entrou num período de apreciação que ascende a 11,3% até hoje.