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Bankinter quer Portugal a representar 10% das receitas do grupo até 2019

María Dolores Dancausa, presidente executiva do Bankinter

JAVIER VAZQUEZ

Operação em Portugal atingiu resultados líquidos de €22,9 milhões. Banco quer apostar no digital e duplicar a captação de clientes no segmento empresarial face a 2017

Maria João Bourbon

Maria João Bourbon

Em Madrid

Jornalista

O Bankinter quer apostar num “crescimento orgânico" em Portugal e fazer o grupo crescer com “um menor custo”, mas essa trajetória não vai passar por aquisições do negócio de outras instituições. A garantia foi dada pela presidente executiva do banco, María Dolores Dancausa, esta quinta-feira, à margem da apresentação dos resultados do banco espanhol em 2017.

A presidente executiva do grupo espanhol mostrou “orgulho” pela recuperação económica de Portugal, revelando otimismo em relação ao desempenho da economia portuguesa – que, reconhece, contribuiu para os resultados da sucursal.

A operação portuguesa do banco espanhol contribui 7% para os resultados globais, mas o objetivo é, no prazo de dois anos, aumentar a contribuição da operação em Portugal para os resultados globais em 10%, garantem Dancausa e o diretor-geral do Bankinter Portugal, Alberto Ramos.

O Bankinter terminou 2017 com um lucro líquido de €495,2 milhões, mais 1% que no ano anterior. Em Portugal, os resultados líquidos foram de €22,9 milhões e os custos operacionais aumentaram 24%, o que limitou o crescimento do grupo que, sem a operação portuguesa, teria sido de 20%.

Segundo Alberto Ramos, o aumento dos custos operacionais deve-se à base de comparação entre os 12 meses de 2017 e os nove meses de 2016 (uma vez que a atividade do Barclays foi adquirida apenas em abril desse ano). Se em 2016 tivessem sido 12 e não nove meses de atividade, a sucursal em Portugal teria tido lucros de €10,3 milhões antes de impostos, contra os €31,4 milhões ilíquidos de 2017. Os valores desta comparação para os resultados líquidos não foram revelados.

Portugal captou 17 mil novos clientes em 2017

Com um total de 839 colaboradores (eram 900 em 2016), o banco contabilizava no final de 2017 155 mil clientes. A herança do Barclays deixou ao Bankinter Portugal uma presença mais forte nos particulares: neste segmento, a operação portuguesa conseguiu captar 13.800 novos clientes.

As principais fontes de captação de clientes estão, por isso, neste segmento – com o crédito à habitação (que aumentou de €160 milhões para €448 milhões) e o produto Conta Mais Ordenado a serem os principais motores.

Mas as empresas são igualmente uma aposta. “No segmento empresarial, a captação mais que duplicou”, explica o diretor-geral da sucursal do banco em Portugal. O foco para este ano passa por “crescer nas empresas”, duplicando neste segmento os novos clientes (em 2017 foram 3.200), que são essencialmente pequenas e médias empresas (PME).

Fintech: aquisições excluídas, parcerias não

Pioneiro da banca à distância, o Bankinter tem atualmente 81 agências, número que não prevê aumentar. Isto porque considera que a oferta “é suficiente” e tem os olhos postos na digitalização: 91% dos seus clientes usam os canais digitais, dos quais 31% de forma exclusiva e 60% mista. Apenas 9% estabelecem a sua relação com o banco através de agências ou telefone.

Neste contexto, Alberto Ramos anuncia que a sucursal irá disponibilizar uma solução de abertura de conta à distância até ao final do primeiro trimestre. “É uma abertura de conta omnicanal”, explica, exemplificando: “Um cliente pode começar a abrir conta na agência e terminar online.” Mas numa primeira fase – até ao final do semestre – ainda será necessário passar pelos balcões para registar uma assinatura final.

Também as fintech são acompanhadas com interesse, uma vez que trazerm “novas formas de trabalhar e não têm tecnologias obsoletas”, aponta a presidente executiva do banco espanhol. “Olhamos para as fintech mais como uma oportunidade do que como um risco.”

Mas, ao contrário de muitos bancos espanhóis, o Bankinter não prevê aquisições neste campo. “Temos pequenas participações em algumas fintech e acompanhamos esse setor através da Fundação Inovação Bankinter e do Bankinter Capital de Risco”, especifica.