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Desemprego em Portugal vai continuar a descer, diz Organização Internacional do Trabalho

Taxa de desemprego deve cair para 7,8% este ano e 7,3% em 2019, segundo o relatório "World Employment and Social Outlook - Trends 2018", publicado esta segunda-feira. Mas o ritmo de queda do desemprego deve abrandar

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) espera que o desemprego em Portugal continue a descer este ano e em 2019. No relatório "World Employment and Social Outlook - Trends 2018", divulgado ao início da noite desta segunda-feira, a OIT aponta para uma taxa de desemprego média anual de 7,8% em 2018 e de 7,3% em 2019. Números que comparam com a estimativa de 9% em 2017.

E que são mais otimistas do que os apresentados pelo Governo. No cenário macroeconómico do Orçamento do Estado para 2018, o executivo aponta para uma taxa de desemprego de 9,2% em 2017 e de 8,6% em 2018.

Ao mesmo tempo, a taxa de emprego (que mede o número de pessoas empregadas em percentagem da população total em idade de trabalhar, ou seja, com mais de 15 anos) deve subir de 52,9% em 2017 (média anual) para 53,3% em 2018, mantendo-se nesse patamar em 2019.

Esta evolução positiva do mercado de trabalho luso segue a tendência europeia. Segundo a OIT, a taxa de desemprego na Europa do Norte, do Sul e Ocidental deve diminuir de 8,5% em 2017 (a mais baixa desde 2008) para 8% em 2018 e 7,8% em 2019.

Força de trabalho em queda

Apesar da previsão de descida do desemprego, nem tudo são boas notícias para Portugal neste relatório. A OIT alerta que a taxa de desemprego deve continua a cair, mas "a um ritmo mais lento do que no período 2015-2017".

Além disso, a organização aponta para uma nova redução da força de trabalho em Portugal.

Os anos da troika ficaram marcados por uma forte redução da força de trabalho (somatório de todas as pessoas em idade de trabalhar - com mais de 15 anos - que estão no mercado de trabalho, seja empregadas ou no desemprego), passando de 5,5 milhões em 2011 para 5,2 milhões em 2015, fruto da emigração e do aumento da inatividade (por exemplo, pessoas que desisitiram de procurar emprego nos anos da crise, passando a ser condideradas inativas).

Mas os números apresentados pela OIT indicam uma estabilização neste patamar desde então. O problema é que, para 2019, a organização aponta para uma nova queda, para os 5,1 milhões de pessoas.

É o resultado de fatores como o envelhecimento populacional enm Portugal, um dos mais marcados na Europa e no mundo.

Serviços representam 69% do emprego

Outro número que se destaca nas previsões da OIT para o mercado de trabalho luso é o peso dos serviços (comércio, transportes, hotelaria e restauração, serviços administrativos e de negócios, administração pública, atividades e outros serviços comunitários e sociais).

Fruto do perfil da recuperação económica em Portugal - marcada pela forte dinâmica no turismo - o emprego no sector dos serviços deve atingir 69% do emprego total este ano, mantendo-se nesse patamar em 2019.

Em 2017, o peso dos serviços no emprego era de 68%, segundo o relatório da OIT. Mais ainda, em 2010, ficava-se pelos 62%. Ou seja, o aumento no espaço de menos de uma década é de sete pontos percentuais.

Quanto à indústria (indústrias transformadoras, construção, minas e pedreiras, e fornecimento de eletricidade, gás e água), o peso no emprego deve manter-se inalterado face a 2017, nos 26%. Mas este número compara com 29% em 2010. A redução, desde então, é de três pontos percentuais.

Por fim, o peso da agricultura no emprego em Portugal é de 7%, segundo a OIT, e assim deve continuar em 2018 e 2019. Em 2010, estava nos 11%. Em menos de uma década, a redução é de quatro pontos percentuais.