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Sonae quer comprar clínicas para crescer com a Dr. Well’s

Dr. Well’s tem quatro clínicas. A primeira foi inaugurada em maio de 2017 no Colombo

FOTO nuno botelho

Marca tem quatro clínicas mas quer 70 até 2025 por crescimento orgânico e aquisições

A alimentação saudável e a saúde estão a marcar a estratégia de crescimento da Sonae. A Dr. Well’s é a principal aposta do grupo que, até 2025, quer ter 70 clínicas de medicina estética e dentária por crescimento orgânico ou aquisições. Nos operadores concorrentes da grande distribuição a estratégia é diferente da da Sonae: não há aposta no retalho especializado mas antes em lojas de proximidade (como o Pingo Doce da Jerónimo Martins ou a MyAuchan do grupo francês com o mesmo nome) e em formatos de maior dimensão (como o Minipreço Family). As opções da distribuição acompanham as tendências de consumo.

Sem revelar quais são as clínicas já existentes que podem ser adquiridas, fonte da Sonae avança apenas que a estratégia é criar uma rede sólida por todo o país. “Se encontrarmos oportunidades com boas localizações, nas quais possamos acrescentar valor, serão tomadas em consideração”, remata.

Lançada em maio de 2017, a Dr. Well’s tem neste momento quatro clínicas, a primeira inaugurada no Centro Comercial Colombo (na foto) e a mais recente abertura no Centro Comercial Continente da Amadora, no início deste ano.

Apesar das semelhanças do nome, a Dr. Well’s é um negócio distinto da Well’s (a primeira pertence ao universo Sonae e a segunda é Sonae MC), que são 223 parafarmácias e óticas que nasceram no interior dos hipermercados Continente, mas que se autonomizaram-se com pontos de venda próprios, quer em centros comerciais como em lojas de rua.

“A Well’s enquanto marca da Sonae MC especialista em saúde, bem-estar e ótica, tem em marcha um projeto de expansão para reforçar a sua rede de lojas em todo o país”, refere fonte da Sonae MC, sem avançar o número e localizações das novas aberturas. Em comum as duas marcas têm o Plano de Saúde Well’s, cartão que dá descontos em consultas e que é gratuito para os utilizadores do Cartão Continente, além de ter preços exclusivos para os clientes das clínicas Dr. Well’s. Em termos de vendas, a Sonae escusa-se a revelar a faturação de ambas as insígnias.

Dentro do retalho especializado, os supermercados, restaurantes e serviço de catering Go Natural são aposta da Sonae, na sequência da aquisição da cadeia de lojas Go Natural e da rede de supermercados biológicos Brio, no ano passado. Atualmente há sete supermercados Brio e a ideia é crescer em 2018, com a Sonae MC a não avançar detalhes sobre a estratégia nem o volume de negócios desta marca.

O retalho especializado, com a abertura de lojas com marcas próprias fora da esfera dos hipermercados da Sonae, é uma estratégia que o grupo está a desenvolver com outras cadeias, como as cafetarias Bagga, as lojas de animais Zu e as papelarias Note. “Todas estas marcas nasceram como insígnias dentro do Continente e fizeram o seu produto graças ao sucesso que tiveram dentro de loja. Worten e Zippy são exemplos desta aposta”, refere a mesma fonte.

Num caminho oposto, o negócio do Grupo Jerónimo Martins concentra-se 99% na distribuição alimentar (Pingo Doce, Recheio, Biedronka e Ara), estando o retalho especializado nas cafetarias Jeronymo e a confeitaria Hussel, ambas em Portugal, e as lojas de produtos de beleza Hebe, na Polónia. Qualquer uma destas insígnias, ao contrário do caminho na Sonae, são projetos de retalho especializado que se desenvolveram fora dos pontos de venda alimentares. “Presente em cerca de 300 cidades e localidades em Portugal, a operação de proximidade é uma das características distintivas do Pingo Doce, tal como acontece com a Biedronka na Polónia e com a Ara na Colômbia”, refere fonte oficial da Jerónimo Martins.

No grupo de origem francesa Os Mosqueteiros é também o retalho alimentar (com o Intermarché) o que tem mais peso no negócio (92%), com as lojas de bricolage Bricomarché (5%) e os centros automóveis Roady (3%) a representar o resto das vendas do grupo. João Magalhães, administrador do Grupo Os Mosqueteiros, refere que está posta de parte a hipótese da entrada em Portugal de outras insígnias especializadas do grupo francês, como o Bricocash (artigos para casa) e Poivre Rouge (restauração). Este responsável salienta a tendência de contraciclo com o mercado seguida pelo grupo que dirige, com a aposta em aberturas fora dos grandes centros urbanos.

Na Sonae, por seu lado, em 2017 foram investidos €84,5 milhões na expansão do formato de proximidade Continente Bom Dia, que totaliza cerca de 100 lojas. É também a aposta na conveniência que está a levar o Grupo Dia a reposicionar, no centro das grandes cidades, algumas localizações do Minipreço Market (que tem 442 lojas) para o conceito de Minipreço Express, que já está a funcionar em Lisboa, na rua de São Paulo e no largo do Calhariz.

“Neste formato estamos a testar a conciliação da tradicional oferta Minipreço com novas áreas exclusivas, cafetaria, pronto a levar, sumo de laranja, entre outros”, explica o departamento de relações externas do Grupo Dia, acrescentando como outros elementos distintivos o horário alargado e as caixas de pagamento com fila única. No caminho oposto ao do pequeno formato de proximidade, o Grupo Dia prepara-se para abrir, até março, a primeira loja Minipreço Family dentro de Lisboa, no Mercado de Santos, na Praça de Espanha. Este formato, com mais de mil metros quadrados de área, já conta 112 pontos de venda a nível nacional.

Na Auchan, não está previsto o desenvolvimento de lojas autónomas de retalho especializado, como a Lillapois, cadeia de drogarias do grupo francês desenvolvida em Itália e na Rússia.
“Em Portugal vamos continuar a investir na oferta cada vez mais completa ao consumidor, nos biológicos, saúde e bem-estar, tecnologia, entre outros, quer nos formatos físicos existentes como no desenvolvimento de mais e melhores soluções digitais”, avança Clara Costa, diretora de comunicação da Auchan Portugal.