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Centros comerciais da Chamartín em insolvência

Espanhóis do Abanca têm €30 milhões de créditos relativos a dois projetos na Grande Lisboa e um em Ovar

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O grupo espanhol Chamartín protagonizou em 2006 uma transação histórica, ao comprar ao grupo Amorim o seu negócio imobiliário, entre edifícios de escritórios e centros comerciais. Nos anos que se seguiram, os espanhóis agregaram os centros comerciais sob a marca comum Dolce Vita, mas a crise e a dívida vieram amargar a história. A Chamartín, em insolvência em Espanha, começou em 2015 a vender os seus ativos em Portugal, mas houve três de que não se conseguiu desfazer: entraram agora, também eles, em insolvência.

Esta semana, de uma assentada, o banco espanhol Abanca (herdeiro das operações do Novacaixagalicia) avançou com três pedidos de insolvência, relativos às sociedades Aplicação Urbana XIII (na qual será credor de €5,4 milhões, segundo o portal Citius), Dolce Vita Miraflores (€10 milhões em causa) e Sportsforum (€14,9 milhões).

As três empresas são detidas pela sociedade Aplicação Urbana Retail, que pertence à Aplicação Urbana Imobiliária SGPS, a qual, por seu turno, tem como dona a filial portuguesa da Chamartín. Ao que o Expresso apurou, o grupo Abanca irá propor, nos três processos de insolvência, que a administração judicial seja entregue a Jorge Calvete, que já conduziu outros processos relativos à Chamartín.

A própria Aplicação Urbana Imobiliária já tinha requerido a 9 de janeiro a sua insolvência. A empresa está em falência técnica: em 2016 tinha um passivo de €305,7 milhões e o capital próprio era negativo em €305,4 milhões. Em 2015 chegou a ter um resultado positivo, mas no ano seguinte voltou ao prejuízo. Entre os credores da Aplicação Urbana Imobiliária estão o fundo FLIT, gerido pela ECS Capital, o Santander, a Parvalorem e a Lone Star. A Lone Star comprou em 2015 à Chamartín quatro centros comerciais Dolce Vita (em Lisboa, Porto, Vila Real e Coimbra).

As três sociedades para as quais o Abanca agora pediu a administração judicial são apenas parte dos ativos da Chamartín em Portugal. A Aplicação Urbana XIII, que detém a galeria comercial Central Park, em Linda-a-Velha (na Grande Lisboa), apresenta um ativo de €9,8 milhões e um passivo de €7 milhões. A Dolce Vita Miraflores (com um pequeno centro comercial também na periferia da capital) apresenta, pelo contrário, capitais próprios negativos, já que o ativo, de €15,8 milhões, não cobre o passivo, de €22 milhões. A Sportsforum, ligada ao centro comercial homónimo em Ovar, soma um ativo de €10 milhões e dívidas de €22,6 milhões.

O Expresso questionou o Abanca sobre os seus planos para os três centros comerciais que agora ficarão sob administração judicial, mas não obteve resposta. Também tentou obter esclarecimentos da Chamartín e da Inogi Asset Management (que está a gerir os empreendimentos), sem sucesso.