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Valor angariado com vistos gold derrapa em dezembro

Apesar da descida recente, incentivo tem-se revelado um sucesso e já angariou €3,4 mil milhões desde 2012

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O ano 2017 até começou bem, com o investimento mensal em imobiliário conseguido através dos vistos gold a oscilar entre os €71 milhões e os €172 milhões, mas a partir de maio o valor destas licenças entregues a estrangeiros que investiam em imóveis caiu para menos de €50 milhões. Ainda houve dois meses com pouco mais de €50 milhões investidos e em outubro recuperou de novo, chegando aos €93 milhões. Mas novembro e dezembro foi sempre a cair e no último mês do ano atingiu o número mais baixo dos últimos dois anos: €29 milhões. Valores mais baixos só mesmo entre maio e setembro de 2015, mas aí havia uma razão: tinha acabado de estalar o caso de corrupção nos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e na atribuição dos vistos gold. Agora, não parece existir nenhuma razão para esta “derrapagem total”, diz o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), Manuel Reis Campos.

“Os vistos gold estão em decadência. Há um alheamento total dos responsáveis e os processos estão bloqueados. Estamos a dar espaço para que os nossos vizinhos se apoderem deste programa porque ainda há interessados. Mas os investidores sentem que não há rapidez e para eles ou se investe logo ou muda-se de orientação”, comenta ao Expresso.

No total, o investimento em imobiliário conseguido com os vistos gold caiu de €787 milhões em 2016 para €771 milhões em 2017. Destes, pouco mais de €743 milhões correspondem à compra de imóveis de valor igual ou superior a 500 mil euros e perto de €27 milhões correspondem à compra de imóveis para reabilitação urbana no montante global igual ou superior a €350 mil, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) divulgados esta semana e noticiados pela Lusa.

Os investidores em imobiliário são ainda os que mais procuram os vistos gold. O outro critério de angariação, o da transferência de capitais, conseguiu pouco mais de €73 milhões em 2017.
Ora, se o valor atribuído através do imobiliário desceu não é de admirar que o investimento total captado através dos vistos gold tenha também sofrido uma quebra.

De acordo com os mesmos dados do SEF, o recuo foi de 3,4% em 2017, para €844 milhões, referentes a 1351 vistos. E em dezembro atingiu também um dos valores mais baixos de sempre (à exceção daqueles meses de maio de 2015). Assim, no último mês do ano o investimento total realizado através dos vistos gold foi de €30,4 milhões, menos 44% do que em novembro uma quebra de 65% face a igual mês de 2016.

Seja como for, o programa não deixa de ser um sucesso. Desde que foi lançado, no final de 2012, já trouxe para o país €3,4 mil milhões referentes a 5553 vistos.

Destes, 3588 foram para investidores chineses, de longe os que mais procuram este incentivo. Segue-se o Brasil com 473, a África do Sul com 218, a Rússia com 195 e o Líbano com 108 vistos.