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Polímatas, os novos profissionais do futuro

d.r.

São excelentes em duas ou mais áreas de conhecimento e estão na mira das empresas mais inovadoras. Os polímatas são uma raridade

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Durante os últimos dois séculos, a sociedade ocidental avançou de tal forma no sentido da hiperespecialização que se tornou uma raridade encontrar profissionais se destaquem, simultaneamente, em áreas tão diferentes como a ciência e as artes. Por outras palavras, é raro encontrar polímatas, profissionais capazes de alcançar a excelência em duas ou mais áreas de conhecimento. Mas um estudo conduzido pela Deusto Business School e pela empresa de inovação 3M coloca-os no centro da estratégia de recursos humanos das principais empresas mundiais, sobretudo aquelas onde a inovação é o centro do negócio.

O fenómeno ganhou particular dimensão durante o Renascimento, mas garantem os investigadores que está de volta na era digital. “Num cenário acelerado, em que a cada dez anos se duplica a produção científica, a polimatia parece fazer de novo sentido”, avança o estudo que sustenta o argumento no facto da mudança tecnológica e da concorrência global gerarem mais incentivos do que nunca para inovar e da economia digital ser um terreno fértil para que o polímata desenvolva todo o seu talento.

Além da técnica

“Uma mente habituada a questionar constantemente a realidade, com facilidade para a aprendizagem e capacidade para encontrar soluções imaginativas, é especialmente útil em novos cenários”, avançam os investigadores da Deusto Business School.

Excelentes em duas ou mais áreas de conhecimento, podendo articular campos tão diversos como as artes, as ciências, os negócios, o desporto, a tecnologia ou as humanidades, os profissionais polímatas cumprem o protótipo perfeito do trabalhador do futuro, numa era em que para as empresas, “os profissionais mais valiosos não serão os melhores engenheiros ou programadores, serão pessoas com grandes conhecimentos técnicos, mas também capazes de compreender as necessidades da empresa e dos seus clientes”. Tudo porque, cada vez mais, o sucesso empresarial é determinado não pelo seu grau de sofisticação tecnológica, mas pela sua adaptação à vida das pessoas.

Estrella Cabrero, responsável de inovação da 3M Ibéria, explica que “a inovação contínua é agora mais necessária do que nunca devido à mudança tecnológica e à competitividade global. As empresas estão a gerar um valor incrível através da união de diferentes ramos da tecnologia para criar novos produtos, serviços e processos complexos destinados a resolver os grandes e pequenos problemas do mundo”. A especialista garante que neste contexto e numa sociedade ainda hiperespecializada, a polimatia é cada vez mais um elemento-chave na inovação que muitas empresas já estão a aproveitar.