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Juros a 10 anos perto de minimo de 39 meses

Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos fecharam a semana em 1,79% no mercado secundário, um nível próximo do mínimo de 39 meses registado em 18 de dezembro passado. Fosso em relação aos juros italianos alarga-se

Jorge Nascimento Rodrigues

Na semana em que o Tesouro português pagou a taxa mais baixa de sempre no lançamento de uma nova linha de obrigações a 10 anos, os juros (yields) da dívida naquele prazo de referência fecharam em 1,79%, um nível próximo de um mínimo de 39 meses.

Os juros da dívida portuguesa a 10 anos desceram 13 pontos base (0,13 pontos percentuais) em relação ao fecho de 5 de janeiro, a maior descida entre os periféricos do euro, face a uma redução de três pontos base para as obrigações espanholas e a um fecho sem alteração para os títulos italianos. Os juros das obrigações gregas subiram 13 pontos base.

Os juros de 1,79% estão próximos de 1,72% registado a 18 de dezembro passado, fixando, então um mínimo desde 13 de abril de 2015.

A linha de Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos que ainda serve de referência no mercado secundário é a que vence em abril de 2027. Não é, ainda, a nova linha lançada esta semana que vence em outubro de 2028. Na operação de sindicação realizada na quarta-feira, o Tesouro pagou 2,137% (implicando um spread de 114 pontos base acima da taxa mid swap) na colocação de uma série de OT que vence em 10 anos e 9 meses.

Esta nova série ainda não está a ser negociada no mercado secundário. Deverá substituir a OT de 2027 como referência a 10 anos na próxima semana.

Diferença em relação aos juros italianos acentua-se

Os juros das OT a 10 anos passaram a ser inferiores aos registados para os títulos italianos desde 18 de dezembro do ano passado. Então, a diferença era de 6 pontos base, entre 1,72% para os portugueses e 1,78% para os italianos.

No fecho de sexta-feira, a diferença ampliou-se para 20 pontos base, com os juros portugueses a fecharem em 1,79% e os italianos a encerrarem em 1,99%.

Os mercados estão a reavaliar as diferenças no quadro macroeconómico dos dois países, com vantagem para Portugal.

O governo de António Costa vai fechar 2017 com um défice orçamental de 1,2% do PIB, enquanto o governo de Paolo Gentiloni aponta para 2,1%. No quadro da dívida pública, Portugal desce para 126,2% do PIB enquanto Itália fechará em 131,6%. Para 2018, as metas são de 1% em Portugal e 1,6% em Itália para o défice e os objetivos para o rácio da dívida pública são de 123,5% para o governo em Lisboa e 130% para o governo em Roma.

No entanto, Portugal continua a estar penalizado nas notações de dívida. A Itália tem um rating de BBB atribuído pelas três principais agências de notação, enquanto Portugal regista BBB por parte da Fitch, BBB- (também em terreno de investimento) pela Standard & Poor’s e Ba1(BB+), ainda em terreno de lixo financeiro, pela Moody’s, que só reavaliará a notação portuguesa em abril.

As classificações de triplo B (seja neutro, com sinal mais ou sinal menos) são notações já fora de dívida especulativa (vulgo 'lixo financeiro') no grau médio inferior de investimento.