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'Falcão' alemão desmente especulação sobre subida das taxas do BCE. Periféricos sentem alívio nos juros

Jens Weidemann, presidente do banco central alemão, afirmou ao final da tarde de sexta-feira que é pequena a possibilidade de haver uma mudança "iminente" da política de taxas diretoras do Banco Central Europeu. Juros da dívida espanhola e portuguesa desceram no final da semana e juros dos títulos italianos caíram dos 2%

Jorge Nascimento Rodrigues

A expetativa de uma subida ainda este ano das taxas diretoras do Banco Central Europeu (BCE) é prematura. Jens Weidmann, o presidente do Bundesbank, o banco central alemão, deitou na sexta-feira um balde água fria na especulação de que uma subida da taxa de remuneração dos depósitos dos bancos já em dezembro deste ano seria o primeiro sinal dessa mudança.

"Em relação às taxas do banco central na zona euro, o risco iminente de uma mudança é pequeno, de momento", afirmou o banqueiro central alemão na sexta-feira ao final da tarde em Rottach-Egern, na Baviera, segundo a Reuters. Weidmann é considerado um dos 'falcões' dentro do BCE defensor de se colocar um ponto final no programa de compra de ativos (vulgo QE, acrónimo de quantitative easing) e de se anunciar essa descontinuação antes do final do prolongamento em setembro. "A normalização total da política monetária terá um longo caminho", acrescentou.

A especulação sobre o início da subida das taxas diretoras do BCE recebeu um impulso esta semana depois da divulgação das atas da reunião de 14 de dezembro onde se aponta para o começo de uma mudança gradual na comunicação da política monetária alterando o discurso, desvinculando a manutenção do QE da obrigatoriedade da inflação se aproximar de 2%.

Prematura a especulação de que a taxa dos depósitos sobe em dezembro

Esse sinal das atas no sentido da mudança do que se designa por "orientação futura" (forward guidance) na linguagem do BCE levou os mercados a considerarem uma probabilidade de 70% para uma subida ainda este ano, em dezembro, da taxa de remuneração dos depósitos dos bancos da zona euro no BCE.

Essa taxa está num mínimo histórico negativo de -0,4%, e tem sido muito contestada pelo sector financeiro. A subida em dezembro seria de 10 pontos base, puxando-a para -0,3%.

As palavras de Weidmann contribuíram para algum alívio no mercado secundário da dívida dos periféricos na ponta final de sexta-feira, em particular no prazo de referência a 10 anos e nos casos de Espanha, Itália e Portugal.

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português fecharam em queda para 1,79%, próximo de mínimos de 39 meses. Os juros das obrigações espanholas recuaram três pontos base, fechando em 1,49%. No caso dos títulos italianos mantiveram-se em 1,99%, tal como a 5 de janeiro, mas desceram de um pico de 2% durante a semana.