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Anacom vai ter novos meios para controlar a qualidade do serviço prestado pelos CTT

Cadete de Matos diz que não pode haver suspeitas sobre os indicadores de qualidade. Ações da empresa caíram 9,25% na sequência do anúncio de metas mais exigentes aplicadas pelo regulador.

O regulador das comunicações vai usar novos meios para fiscalizar e controlar no terreno o processo de cumprimentos dos critérios de qualidade exigidos aos CTT na prestação do serviço universal postal.

“A Anacom tem de verificar no terreno que os parâmetros de qualidade exigidos na prestação do serviço universal postal estão a ser cumpridos pelos CTT”, disse no Parlamento, João Cadete de Matos, presidente do regulador das comunicações. E acrescentou: “Já disse aos CTT e à PricewaterhouseCoopers (auditora dos indicadores de qualidade contratada pelos Correios) que é preciso verificar os resultados da aplicação dos indicadores de qualidade e ver se são verdadeiros. Não aceito que haja dúvidas sobre isso”.

A Anacom contratou uma auditora, a Grant Thornton, para auditar os resultados que são apresentados anualmente pela PwC, mas esta sexta-feira, Cadete de Matos disse aos deputados que irão ser criados pelo regulador meios adicionais do controlo à aplicação dos critérios de qualidade. Não disse porém quais. Os indicadores de qualidade são atualmente 11 e vão ser, segundo proposta da Anacom, 24 a partir de 1 de Julho.

O presidente da Anacom afirmou que o regulador está atento a eventuais fragilidades do sistema de fiscalização e controlo dos indicadores de qualidade, nomeadamente face à facilidade de deteção do chip que é colocado nas cartas para registar o tempo de entrega e também à fiabilidade dos painelistas escolhidos pela auditora para fazer também o controlo de qualidade.

Cadete de Matos adiantou ainda que nas exigências do novo caderno de encargos do contrato da prestação do serviço público postal está previsto que os mecanismos de controlo dos indicadores de qualidade tenham de ser aprovados pela Anacom, o que não acontece atualmente.

“Está errado na minha opinião que sejam os próprios CTT a escolher o auditor que fiscaliza se os indicadores de qualidade estão a ser cumpridos”, defendeu perante os deputados. A PwC é a auditora dos Correios para os indicadores de qualidade e é escolhida e paga por eles.

Fecho de lojas à margem da Anacom

Cadete de Matos esclareceu que os CTT não têm de informar a Anacom sobre encerramento de estações de serviços ou lojas. Mas sublinhou que não é uma situação que lhe agrade. “Só posso chamar a atenção do senhor presidente dos CTT para a obrigatoriedade de assegurar o cumprimento das obrigações do contrato prestação do serviço universal”, sublinhou.

O presidente da Anacom disse ainda que em todas as reuniões que tem tido com o presidente dos CTT tem dito que “as reclamações são para reduzir”. E sublinhou que os Correios portugueses prestam um dos melhores serviços postais da Europa, é isso que resulta dos estudos comparados que são feitos.

Esta sexta-feira as ações dos CTT fecharam a cair 9,25%, na sequência da imposição de metas mais exigentes pela Anacom.