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Portugal colocou €4 mil milhões à taxa mais baixa de sempre numa operação sindicada a 10 anos

Na primeira operação do novo ano, o Tesouro lançou uma nova linha de Obrigações do Tesouro a 10 anos emitindo €4 mil milhões e pagando 2,137%, a taxa mais baixa de sempre em operações de sindicação neste prazo. Procura foi mais de quatro vezes superior ao montante colocado

Jorge Nascimento Rodrigues

O Tesouro realizou esta quarta-feira uma operação sindicada de lançamento de uma nova linha de dívida a 10 anos vencendo em outubro de 2028 colocando €4 mil milhões e pagando uma taxa de 2,137%. Foi a primeira operação do ano.

O montante garante já 27% do programa de financiamento previsto para todo o ano em emissão de dívida obrigacionista, que se deverá situar em €15 mil milhões anunciados esta semana pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

O montante e a procura foram superiores aos registados numa operação similar em janeiro de 2017, aquando do lançamento da linha de Obrigações do Tesouro com vencimento em 2027. O montante foi superior em mil milhões ao colocado no ano passado. A procura registada foi, agora, de €17,2 mil milhões, mais de quatro vezes o montante colocado, e duas vezes superior à procura no ano passado.

A taxa final da operação é a mais baixa de sempre conseguida neste tipo de operação sindicada no prazo a 10 anos. Em 2015 e 2016, o Tesouro pagou 2,920% e 2,973% respetivamente em operações similares, então, as taxas mais baixas de sempre. De 2006 a 2010 pagou sempre taxas acima de 4%, com a operação de fevereiro de 2010 a atingir uma taxa de 4,823%. Em 2013 e 2014, numa sindicação de uma linha a 11 anos e na sua reabertura no ano seguinte, o Tesouro teve de pagar mais de 5%.

Os investidores acabaram por aceitar pagar esta quarta-feira um prémio de 114 pontos base (1,14 pontos percentuais) acima da taxa swap (mid swap). Dado esta OT ter um vencimento superior a 10 anos, a mid swap deverá ter-se situado entre 0,91% para os 10 anos e mais de 1% para os 12 anos. Uma taxa final muito distante dos 4,227% que o Tesouro teve de pagar no ano passado na operação similar.

"Foi uma emissão muito boa para o Estado português, com uma procura muito forte e com uma taxa baixa para um prazo longo. Esta manhã, o spread começou nos 120 pontos base, mas veio a descer até aos 114, o que se traduz num prémio de 1,14%. São ótimas notícias para o país que consegue assim fazer o rollover da dívida, financiando-se a custos cada vez mais baixos", refere Filipe Silva, diretor de Gestão de Ativos do Banco Carregosa.

O analista sublinha, ainda, que "a comparação com a anterior emissão a 10 anos [através de um leilão em novembro passado] serve de referência, mas não totalmente, porque a dívida emitida hoje vence-se em outubro de 2028, ou seja, daqui a 10 anos e 10 meses. Dez meses fazem alguma diferença, o que também está refletido na taxa, que saiu em linha com o mercado e em linha com os spread de emissões que vencem entre 2025 e 2030".