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Exuberância irracional em Wall Street está em máximo de quase 17 anos

O rácio criado pelo Prémio Nobel Robert Shiller para ‘medir’ o nível de ‘bolha’ na bolsa de Nova Iorque subiu para 33,19 em janeiro, segundo a atualização feita esta semana. Desde maio de 2001 que não era tão elevado. Wall Street tem registado máximos históricos nos três principais índices bolsistas

Jorge Nascimento Rodrigues

Os índices S&P 500 e Nasdaq (das cotadas tecnológicas) voltaram a registar na sessão de segunda-feira máximos históricos, depois do índice Dow Jones 30 (das trinta cotadas gigantes) ter atingido um pico na sexta-feira passada. Os futuros em Wall Street apontam esta terça-feira para uma abertura em alta em Nova Iorque pelas 14h30 (hora de Portugal) quando as bolsas abrirem.

A euforia crescente com máximos históricos sucessivos já verificada no final de 2017 prossegue nesta abertura do novo ano e repercute-se no mais conhecido alerta de ‘bolha’ financeira, o múltiplo criado por Robert Shiller conhecido pela sigla em inglês CAPE, que atingiu, agora, no início de janeiro, o nível mais alto desde maio de 2001. É encarado como um indicador da 'exuberância irracional' neste mercado financeiro.

Múltiplo mais elevado do que em 1929 antes do crash

O múltiplo subiu de 28,06 em janeiro de 2017 para 33,19 em janeiro de 2018, segundo a atualização feita esta semana por Shiller. Um nível tão elevado não se registava desde há quase 17 anos, quando atingiu 34,07 em maio. Este rácio é mais elevado do que o registado no pico da ‘bolha’ de 1929, quando chegou a 32,56 em setembro daquele ano, um mês antes do crash.

O CAPE (Cyclically Adjusted Price Earnings Ratio) é um rácio criado por aquele Prémio Nobel de Economia que relaciona o preço do índice nova iorquino S&P 500 com a média dos ganhos obtidos pelas cotadas nos últimos dez anos.

O que o rácio significa é que o preço do índice nova iorquino vale hoje mais de 33 vezes a média dos ganhos obtidos pelas suas cotadas na última década face a uma média histórica de 20 desde o final dos anos 1960 e de 17 desde que há registo em Wall Street.

O pico histórico do CAPE desde janeiro de 1881 registou-se no auge da ‘bolha’ das dot.com quando chegou a 44,2 em dezembro de 1999. De janeiro daquele ano até setembro de 2000, o CAPE esteve sempre acima de um múltiplo de 40. Durante a bolha de meados dos anos 2000 que viria a desembocar na grande crise financeira de 2008, o CAPE nunca chegou a 30.

Lisboa nas bolsas que mais se valorizam

As valorizações médias mais elevadas à escala mundial desde início do ano não estão a observar-se nas duas bolsas de Nova Iorque, apesar de serem as mais importantes e onde se estão a registar-se máximos históricos.

Desde início de 2018, a valorização média em Nova Iorque é de 2,8%, segundo o índice MSCI respetivo, enquanto seis bolsas, à escala mundial, lideram as subidas com ganhos acima de 4%, segundo os índices MSCI: Buenos Aires, Moscovo, Milão, Atenas, Lisboa, Lagos e Tóquio.