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Mediadores imobiliários dizem que existe “muito populismo” à volta do Alojamento Local

Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, diz que as medidas em discussão na Assembleia da República, para regular o Alojamento Local, são “perigosas" para a continuidade deste mercado, que só em 2017 gerou 120 milhões de euros em receitas fiscais

“Existe muito populismo à volta do impacto que o Alojamento Local (AL) tem na vida das pessoas e famílias que vivem nos centros das cidades”, denuncia Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

Numa reação aos projetos do PS, CDS, BE, PCP e PAN sobre a alteração da atual lei do Alojamento Local, que na sexta-feira passaram unanimemente para debate na especialidade na Assembleia da República, Luís Lima diz mesmo que aquelas medidas são “perigosas para a continuidade do mercado de AL.

“Não podemos ignorar que este mercado foi a verdadeira pedra de toque para a dinamização do sector imobiliário, pois trouxe investimento, incentivou a reabilitação urbana, redinamizou os centros das cidades, salvou sectores como a construção ou a restauração e gerou emprego para muita gente que viu neste mercado uma solução para, por exemplo, não ter que abandonar o País”, enfatiza o presidente da APEMIP.

O mesmo responsável sugere ainda que “os anticorpos que se geram são desmedidos, pois na balança, os benefícios são bem maiores do que os malefícios”.

Nas medidas que agora estão a ser discutidas na Assembleia da República, está em análise o papel dos condomínios na decisão sobre se os proprietários de uma fração podem ou não colocar as suas casas naquele mercado de arrendamento de curta duração.

Luís Lima reconhece os problemas habitacionais que existem, sobretudo nas principais cidades portuguesas, mas recorda que estas dificuldades “já existiam bem antes do Alojamento Local ganhar a dinâmica que tem ganho em Portugal”, nos últimos anos.

E acrescenta dizendo que só em receita fiscal este mercado (do Alojamento Local) arrecadou mais de 120 milhões de euros em 2017.

“Se há problemas, e se é ao Estado que compete resolvê-los, que tal utilizar este dinheiro para sanar os problemas habitacionais das famílias mais carenciadas? Que tal apostar, verdadeiramente, numa estratégia habitacional que concilie o papel do Estado com o papel dos proprietários, criando benefícios fiscais ou outros, que tornem apetecível para os senhorios colocar os seus ativos no mercado de arrendamento a preços acessíveis? Isso sim, deveria estar em cima da mesa e a ser discutido”, sublinha ainda o presidente da APEMIP.

Este responsável explica que “deixar nas mãos dos condomínios a hipótese de decidir se o vizinho poderá ou não colocar a sua casa no mercado de alojamento local é absolutamente utópico! Deixar nas mãos de outrem tal decisão, é deixar os proprietários prisioneiros das cobiças e mexericos da má vizinhança”.