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Juros em mínimos desde início do ano na semana de Portugal regressar ao mercado da dívida

Os juros fecharam no mercado secundário esta segunda-feira abaixo de 1,9% em mínimos desde início do ano à espera do lançamento de uma nova Obrigação do Tesouro a 10 anos. Juros da dívida grega em mínimos de 12 anos. IGCP pode garantir 20% da emissão do ano na operação de sindicação que tem em preparação

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos fecharam esta segunda-feira em 1,88% no mercado secundário da dívida soberana. É um mínimo desde início do ano, depois dos juros terem registado níveis próximos de 2% nas primeiras sessões do ano, afastando-se de mínimos perto de 1,7% registados em dezembro passado.

No mercado secundário da dívida da zona euro registou-se esta segunda-feira um recorde. Os juros das obrigações gregas a 10 anos desceram para 3,68%, um mínimo de 12 anos. A perspetiva de uma saída ‘limpa’ da Grécia do terceiro resgate em agosto de 2018 tem alimentado a descida a pique dos juros gregos.

A expetativa no mercado da zona euro para esta semana é que Portugal avance com uma operação sindicada de lançamento de uma nova linha de OT de referência, a 10 anos, já na próxima quarta-feira. A Irlanda foi o primeiro membro do euro a fazê-lo a 3 de janeiro, tendo colocado €4 mil milhões numa nova linha a 10 anos, tendo pago 0,944%, atraindo 90% de investidores internacionais. A procura foi de €14 mil milhões.

Probabilidade alta de taxa mais baixa de sempre em sindicação de OT

A trajetória de descida dos juros das OT no prazo a 10 anos indica a possibilidade de o Tesouro português poder registar a taxa mais baixa de sempre – abaixo de 2% - na operação de sindicação da nova linha de OT a vencer em 2028 que tem em preparação para esta semana, segundo antecipado pelos analistas do Commerzbank na semana passada.

As operações de sindicação em que o Estado pagou, até à data, as taxas mais baixas ocorreram nas operações realizadas em janeiro de 2015 e de 2016, quando pagou 2,92% e 2,973% respetivamente.

Se a trajetória em curso for indicativa da taxa a que os investidores poderão aceitar adquirir a nova linha de OT de referência, Portugal pagará ainda menos do que no leilão de dívida a 10 anos realizado em novembro do ano passado, quando a taxa se situou em 1,939%.

O movimento de descida esta segunda-feira abrangeu também os juros das obrigações espanholas e gregas, mas a notícia de que o défice orçamental de Portugal em 2017 terá fechado em 1,2% do PIB foi registada como mais um elemento da boa performance portuguesa no ano passado. Com a saída do Procedimento por défice excessivo, a retirada de 'lixo financeiro" por parte da Standard & Poor's e da Fitch e a descida do rácio da dívida pública, Mário Centeno, o ministro das Finanças, acrescenta mais um défice abaixo das previsões iniciais, em vésperas de iniciar a presidência do Eurogrupo já no sábado, dia 13.

IGCP pode garantir 20% da emissão em 2018 na primeira operação do ano

Nas operações de sindicação realizadas desde 2006, o Tesouro tem colocado entre 3 e 4 mil milhões de euros. Na sindicação em janeiro do ano passado colocou €3 mil milhões e pagou uma taxa de 4,227%.

Se voltar a colocar nesse intervalo, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) conseguirá, numa só operação, garantir, pelo menos, 20% da emissão de dívida obrigacionista que pretende realizar em 2018, num montante total de €15 mil milhões, segundo anunciou esta segunda-feira no seu programa de financiamento para o ano.

O IGCP foi autorizado esta segunda-feira pelo governo (Resolução do Conselho de Ministros n.º 3/2018) a poder emitir dívida obrigacionista até €20 mil milhões em euros e dívida de curto prazo em Bilhetes do Tesouro até €17 mil milhões. O governo autorizou ainda a emissão de outra dívida denominada em moeda com ou sem curso legal em Portugal, em instrumentos diferentes das OT, BT e produtos do retalho, até ao montante de €10 mil milhões.

Segundo a última apresentação aos investidores internacionais pelo IGCP, o Estado tem necessidades de €18,5 mil milhões em 2018, entre financiamento do défice orçamental (€5,5 mil milhões) e de outras operações (€5,4 mil milhões) e de amortizações de dívida (€6,7 mil milhões) e reembolsos planeados ao Fundo Monetário Internacional (€800 milhões).

O objetivo é financiar essas necessidades com €15 mil milhões de dívida obrigacionista e a colocação de €1,8 mil milhões em produtos de retalho, e podendo recorrer a €1,8 mil milhões na almofada financeira, que subiu para €9,8 mil milhões em final de 2017.

  • Taxa de desemprego no valor mais baixo desde 2004

    A taxa de desemprego em Portugal desceu para os 8,2% em novembro, o que compara com 8,4% em outubro, segundo a estatística provisória divulgada esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística. Para encontrar um valor mais baixo é preciso recuar a novembro de 2004