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Garcia replica modelo em Marrocos

Miguel (à direita) e Carlos dirigem a construtora fundada pelo bisavô

FOTO LUCÍLIA MONTEIRO

A construtora estreia-se no mercado externo com uma base fabril para um grupo francês

Especializada na conceção e execução à medida do cliente de edifícios industriais e logísticos, a construtora Garcia, Garcia, de Moreira de Cónegos, vai replicar em Marrocos o seu modelo de negócio. A estreia no exterior, com uma empreitada de €6 milhões, resulta da aliança empresarial firmada com o grupo francês Steep Plastique, fornecedor da indústria automóvel, para quem está a construir a primeira base no parque de Lanheses, em Viana do Castelo.

Na cidade de Kenitra, a Garcia constrói uma nova versão da unidade que delineou para Viana, procedendo “a adaptações na área de escritórios tendo em conta os costumes locais”, diz Miguel Garcia, o representante da quarta geração que partilha com os irmãos Carlos e Rui a condução da empresa fundada pelo bisavô Bernardino. As soluções de projeto e engenharia da fábrica marroquina são da casa-mãe, as subempreitadas básicas são contratadas localmente.

A construtora já teve incursões pontuais de carácter residencial na região de Paris, mas Marrocos “é uma aposta de carácter estratégico pelo dinamismo do mercado industrial”. A família Garcia conta com um escritório em Casablanca em fase de instalação e segue mais dois projetos industriais, acreditando que ambos vão pintar em 2018 para o seu lado. No passado “tínhamos declinado convites para experiências no exterior por uma questão de risco e rigor: ou fazemos bem feito ou é preferível passar”, justifica Miguel Garcia.

Em 2017, a produção da Garcia fixou um novo recorde de €50 milhões, um crescimento de 15% que é para manter nos próximos exercícios. A construtora atravessou, sem sobressaltos, a severa crise do sector aliando uma situação financeira que dispensava os humores da banca a uma política “que rejeitou diversificações apressadas que diluíam as competências”. Focada no design & build, a construtora tornou-se paciente alfaiate que define o tipo de fato que melhor se ajusta ao layout fabril do seu cliente, dominando todas as fases da cadeia de valor, incluindo o financiamento da unidade.

Parque ampliado

De entre os 15 projetos em execução em todo o país, Miguel Garcia destaca como mais artístico o que segue em Lanheses para a Bontaz, uma multinacional francesa que fornece a indústria automóvel. O edifício destina-se ao centro de investigação de produto, sendo o primeiro de três bases que a Bontaz instalará no parque de Lanheses. A construção da unidade de produção só arranca em 2018. A Garcia esmerou-se no primeiro contrato (€6 milhões) para ficar bem posicionada para as duas empreitadas seguintes. Noutro âmbito, Miguel Garcia cita a empreitada (€10 milhões) da nova lavandaria industrial da francesa Elis, em Torres Vedras, dimensionada para lavar 500 toneladas de roupa por semana dos principais hotéis da área de Lisboa.

A vincada especialização permite aos irmãos Garcia aliarem ao negócio de engenharia a vocação de atrair investimento para o país, com a vantagem adicional de disporem de uma carteira de terrenos e localizações. A empresa é também promotora de dois parques industriais no Vale do Ave, um dos quais em fase de expansão. No caso da Ermida (Santo Tirso) aplicou mais €6 milhões na ampliação de de 22 para 50 os hectares disponíveis. Um novo negócio está fechado. A cadeia Lidl vai instalar aqui o seu novo polo logístico.

No último mês, Miguel desdobrou-se em viagens para Viena e não como turista. A motivação foi um negócio já fechado (€10 milhões) com um promotor austríaco, envolvendo uma residência universitária de 230 quartos. É um projeto residencial, em modo de chave na mão. Num dos polos universitários do Porto, a família Garcia comprou o terreno e vai construir a residência que será explorada pelo investidor austríaco.