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Investimento em imóveis foi o segundo maior em 11 anos

Consultoras estimam que se tenham aplicado entre €1800 milhões e €1900 milhões em ativos comerciais em Portugal

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Já se sabe que o ano passado foi de recordes no imobiliário. Depois das casas e dos escritórios (ver texto em cima), estima-se que o investimento em imóveis (para rendimento ou para reabilitar) tenha sido o maior dos últimos 11 anos ou o segundo maior desde 2007, segundo dados da Cushman & Wakefield divulgados esta semana.

De acordo com a análise desta consultora, no ano passado “foram transacionados aproximadamente €1800 milhões em ativos imobiliários comerciais”, ou seja, mais do que os €1300 milhões de 2016 e quase tanto como o recorde de €1900 milhões de 2015. Antes disso, entre 2007 e 2014, os valores oscilaram apenas entre €650 milhões e €1200 milhões.

Contudo, para a JLL, que também esta semana divulgou resultados, o valor de investimento em 2017 chegou mesmo a atingir os €1900 milhões. Para a responsável de estudos da Cushman & Wakefield, Marta Esteves Costa, esta diferença explica-se porque “os nossos critérios não consideram ativos que mudaram de mãos dentro de um próprio grupo, por exemplo, se o fundo de pensões da EDP vender um imóvel ao Grupo EDP”.

Retalho atrai mais dinheiro

De todos os segmentos do imobiliário comercial, o que atraiu mais dinheiro em 2017 foi o retalho, ou seja, a compra e venda de lojas de rua e centros comerciais. De acordo com os mesmos dados da Cushman & Wakefield, no ano passado foram investidos €730 milhões neste tipo de ativos, sendo o maior negócio as compras do Fórum Coimbra e do Fórum Viseu por €230 milhões.

Este interesse dos investidores não é de admirar, dado o “dinamismo” deste segmento de mercado nos últimos anos, principalmente das lojas de rua, que começaram de novo a ganhar maior peso, por via do crescimento da reabilitação urbana. Só no ano passado foram arrendadas 705 lojas, num total superior a 200 mil m2, adianta a consultora Cushman & Wakefield.

Aliás, foi precisamente por causa deste aumento da procura que as rendas dos melhores espaços e em melhores localizações subiram para os valores mais elevados de sempre. No Chiado, chegaram aos €120 por m2/mês, segundo a Cushman & Wakefield. Ou aos €130 por m2/mês, de acordo com a JLL. Já na Baixa de Lisboa, as rendas alcançaram os €105 por m2/mês, diz a JLL. E na Rua de Santa Catarina, no Porto, atingiram os €62,5 por m2/mês, segundo a Cushman & Wakefield. Por fim, as rendas das melhores lojas em centros comerciais oscilaram entre os €100 e os €120 por m2/mês.

Contudo, apesar de 2017 ser mais um ano positivo neste segmento, para a Cushman & Wakefield a área das lojas arrendadas em 2017 esteve em linha com a do ano anterior, o que mostra uma certa estabilidade em vez de uma evolução. “O retalho está a tentar perceber o que vai acontecer com o aumento das vendas online e já começam a haver menos lojas nos planos de expansão das marcas. Nos EUA já se nota muito isso, também por causa do crescimento da Amazon. Aliás, até me admira que não se estejam já a arrendar menos lojas”, diz ao Expresso o diretor-geral da Cushman & Wakefield, Eric van Leuven.