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REN corta investimento na rede de gás natural

Ridrigo Costa é o presidente-executivo da REN

Luís Barra

A Redes Energéticas Nacionais propôs ao Estado um plano de investimento para os próximos 10 anos menos ambicioso do que o que tinha apresentado em 2015. A empresa prevê agora investir 186 milhões de euros na rede de gás.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A REN - Redes Energéticas Nacionais seguiu as recomendações da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e baixou o custo do seu plano de investimento na rede de gás natural. Se em 2015 a REN propunha para a década seguinte 198,5 milhões de euros de investimentos no gás, agora projeta 185,8 milhões para o período de 2018 a 2027.

Os números constam do Plano de Desenvolvimento e Investimento na Rede de Gás Natural (PDIRGN) que a REN apresentou à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e que acaba de entrar em consulta pública na ERSE, antes de o regulador emitir o seu parecer sobre o documento.

O PDIRGN enquadra os investimentos de médio prazo na rede de transporte de gás natural, de que a REN é concessionária, carecendo de aprovação do Governo, em nome do Estado, enquanto concedente.

Numa análise preliminar ao plano, a ERSE reconhece desde já que a proposta da REN para o período 2018-2027 incorporou várias melhorias face ao plano apresentado há dois anos, sobretudo do ponto de vista metodológico e de disponibilização de mais informação, incluindo cenários alternativos.

Para o curto prazo, no período de 2018 a 2020, a empresa presidida por Rodrigo Costa está agora a propor investimentos de 34,5 milhões de euros, um valor em linha com os 34,1 milhões previstos para o triénio de 2016 a 2018.

Para os primeiros cinco anos (2018 a 2022), no conjunto de projetos de base a REN propõe custos de 45 milhões de euros. A empresa realça que o impacto tarifário futuro desses investimentos é "muito reduzido", tendo em conta que eles se irão diluir num maior volume de gás que será consumido em Portugal, segundo as previsões da REN.

Adicionalmente, a REN prevê um conjunto de projetos complementares, para o período de 2023 a 2027, que ascendem a 141 milhões de euros.

Um dos pontos sublinhados pela ERSE no enquadramento da consulta pública é que os custos de investimento na terceira interligação de gás natural com Espanha (que ligará Mangualde a Zamora) foram revistos em baixa.

A REN assume, na sua proposta, que "os custos de investimento, em particular o associado à terceira interligação entre Portugal e Espanha, foram revistos em baixa de modo a refletir as atuais condições de mercado, nomeadamente a redução de preços que se verifica após a recente crise económica e financeira".

No seu plano a REN assume um cenário central de crescimento anual da procura de gás natural em Portugal de 1,5% ao ano (prevendo ainda um cenário inferior de 0,6% e um cenário superior de procura com um aumento anual de 3%).

As diferenças dos vários cenários correspondem no essencial à menor ou maior utilização de centrais de ciclo combinado a gás natural (para a produção de eletricidade) em função do eventual encerramento das centrais a carvão de Sines e do Pego.

Os planos de investimento da REN nas redes de gás natural e de eletricidade têm sido recebidos pelo regulador da energia com sucessivos alertas, nomeadamente porque quanto maiores os investimentos maiores os impactos nas tarifas que serão cobradas no futuro aos consumidores de gás e eletricidade.