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Grupo Auchan investe €90 milhões

Pedro Cid, diretor-geral da Auchan, no Jumbo Sintra, em Mem Martins FOTO NUNO BOTELHO

Nuno Botelho

Remodelação de lojas é prioridade. Só 40% do orçamento são direcionados para novas aberturas

O grupo Auchan, que tem os hipermercados Jumbo, os supermercados Pão de Açúcar e as lojas de proximidade MyAuchan, tem preparado para os próximos dois anos investimentos em Portugal de €90 milhões, dos quais mais de metade serão direcionados para remodelações. Os restantes 40% serão gastos na abertura de novos pontos de venda, numa estratégia em que o objetivo é ter diferentes formatos nas localizações onde a Auchan já tem clientes.

“Este ano já gastámos €2,7 milhões na remodelação da loja em Matosinhos. Em março fizemos a loja de Olhão, em que gastámos mais de um €1 milhão”, revela Pedro Cid, diretor-geral da Auchan, avançando que os próximos hipermercados Jumbo a remodelar são os que estão localizados em Faro, Figueira da Foz e Alfragide. O emblemático Jumbo de Cascais, com o qual o grupo francês marcou a entrada em Portugal há 46 anos, deverá entrar em obras em 2019, que irão durar cerca de três anos. Quanto aos critérios seguidos na escolha das lojas a modernizar, Pedro Cid explica que as mais velhas não têm necessariamente prioridade.

“Têm que ver com as lojas que mais precisam e que mais podemos adaptar às necessidades de determinadas áreas de influência, nomeadamente se têm, por exemplo, uma área de produtos frescos maior e a de produtos biológicos e avulso menor ou se têm a área do têxtil. Isso tem muito que ver com o perfil do cliente em cada loja, com aquilo que fizemos no início e que temos de adaptar à atualidade”, explica Pedro Cid.

“Às vezes tenho dificuldade em explicar às minhas equipas de 8000 pessoas porque é que, em vez de gastarmos €2 milhões na loja de Alfragide, não gastamos só €1 milhão e abrimos mais uma MyAuchan. Isto acontece porque nos interessa mais o crescimento sustentável do que o crescimento orgânico, que causa alguns dissabores no futuro porque se abre em todo o sítio e mais algum, sem ter em conta o modelo económico ou uma visão”, sustenta Pedro Cid, explicando que os critérios seguidos nas novas aberturas têm a ver com a existência de clientes Auchan na zona em causa e a localização. “Com este modelo interessa servir o habitante e não trabalhar um formato de loja, o que significa dar-lhe tudo aquilo de que necessita. Começámos com o hipermercado, depois lançámos o site e alguns supermercados e agora fomos para a proximidade”, explica o responsável da Auchan, garantindo que só abrirá uma loja de bairro MyAuchan onde houver um Jumbo.

Em relação ao impacto no negócio das vendas nestas lojas de menor dimensão, formato que arrancou este ano, o responsável da Auchan explica que ainda não tem expressão e que tem mais que ver com acompanhar o cliente em mais um percurso de compra. O comércio eletrónico é outra das apostas. “Neste momento temos um site com cerca de 45 mil a 48 mil referências, que dá para fazer todas as compras, alimentares e não alimentares. Estamos a trabalhar numa aplicação que permita a compra rápida e a testar na loja de Évora as entregas numa hora, com 3000 referências, porque é humanamente impossível fazer entregas de 45 mil referências numa hora. Fazer o percurso e a compra de 65 a 70 artigos numa loja demora uma hora e meia”, argumenta.

A migração para uma marca única a usar em todos os formatos de loja (Jumbo ou Auchan) deverá ser decidida durante 2018, mas Pedro Cid não se mostra preocupado, nem tem em linha de conta essa mudança nas lojas que irão ser remodeladas antes dessa decisão estar tomada. “O que está dentro dos hipermercados é a plataforma da marca que nós construímos ao longo dos anos. A marca Jumbo tem no interior 70% ou 80% em marca Auchan. Temos de adaptar a uma coisa ou outra, mas grosso modo o que existe é marca Auchan”, explica o diretor-geral, avançando que o que está a ser preparado permite que se mude apenas a denominação afixada no exterior dos hipermercados. Em relação ao peso das marcas próprias, o responsável da Auchan revela que representam 30% das vendas, uma percentagem que está a crescer em toda as áreas.