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FMI confirma metas de défice do Governo mas pede consolidação “mais ambiciosa”

Marcos Borga

Fundo Monetário Internacional aponta para défices de 1,4% do PIB este ano e de 1% no próximo. No crescimento, as taxas estimadas são de 2,6% e 2,2%, respetivamente

O Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que as metas de défice para 2017 e 2018 podem ser “atingidas confortavelmente” mas avisa que as atuais “condições favoráveis são uma oportunidade para uma consolidação orçamental estrutural mais ambiciosa e uma ainda mais rápida redução da dívida pública”.

A mensagem foi deixada no comunicado da missão que esteve em Portugal desde 28 de novembro para mais uma avaliação semestral pós-programa. O relatório da missão, que agora é chefiada pelo mexicano Alfredo Cuevas, só será conhecido em fevereiro.

Para já, conhecem-se as atualizações das previsões do FMI que, nos principais indicadores, estão em linha com os números do Governo. Mais concretamente, o Fundo aponta para défices de 1,4% do PIB este ano e de 1,1% no próximo e para taxas de crescimento de 2,6% e 2,2% nestes dois anos. Em relação às estimativas anteriores, a instituição corrigiu em alta o crescimento de 2018 – mais duas décimas – devido ao desempenho da economia no terceiro trimestre e às melhores perspetivas para a economia europeia.

O ‘otimismo’ do Fundo não impede que chame a atenção para alguns riscos que podem afetar o ritmo de crescimento da economia, embora também possa haver surpresas positivas: “As ameaças potenciais ao cenário central podem vir de uma correção do preço do risco nos mercados globais, de incerteza prolongada em Espanha e de progressos insuficientes nas reformas; enquanto um ímpeto cíclico mais forte nas economias da zona euro pode surpreender pela positiva.” A médio prazo, os riscos estão relacionados com “aumento da volatilidade nos mercados obrigacionistas europeus à medida que os estímulos monetários são gradualmente reduzidos na zona euro” e com “um crescimento estruturalmente fraco em parceiros importantes”.

O FMI destaca também a melhoria da situação na banca – com mais capital, liquidez e alguns progressos no crédito malparado – e pede mais reformas estruturais, com ênfase na necessidade de tornar mais flexível o mercado de trabalho.

Não há referências, para já, ao salário mínimo, cujo valor para 2018 está a ser discutido na Concertação Social.