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Nova empresa. Effy promove eficiência nos sistemas de saúde

José Xavier, o fundador da Effy

Tiago Miranda

Em Portugal estará o desenvolvimento de produto da nova startup de base tecnológica e vocação exportadora

Após sete anos em Washington como diretor da operação da WeDo Techonologies nos Estados Unidos, José Xavier, 53 anos, regressou à casa de partida (Braga) e vestiu a pele de empreendedor, fundando uma nova tecnológica que combina eficiência com saúde — a Effy Healthcare.

Através da sua plataforma de controlo, a Effy deteta falhas e ineficiências no sistema de faturação de operadores hospitalares, otimizando o ciclo da receita e a produtividade da organização. A equipa de desenvolvimento está em Portugal, a gestão executiva e de vendas fica localizada nos Estados Unidos, o principal alvo comercial da Effy.

E qual a vantagem da nova ferramenta? Por exemplo, no caso de um subscritor de um seguro de saúde, a solução Effy escrutina em cada momento os serviços que a seguradora cobre e aqueles cujas despesas terão de ser faturados ao cliente pela clínica.

“Nem sempre o circuito do utente numa unidade hospitalar segue os atos autorizados pela seguradora e torna-se necessário detetar exceções, proceder a auditorias e promover a eficiência na faturação e cobrança dos valores em causa”, explica José Xavier.

Nos hospitais com contratos-programa com o Estado, monitoriza os serviços prestados e fornece informação sustentada que dissipa dúvidas e agiliza o processo de pagamento.

A aplicação "usa sensores personalizáveis, identifica divergências ou falhas e cria alertas para facilitar a vida aos gestores das unidades de saúde". A solução Effy não substitui os programas existentes, limitando-se a auditá-los e corrigi-los.

Nas organizações de saúde, "a margem para maximizar a produtividade e corrigir os erros na área financeira é imensa". Num segundo momento, a Effy avançará para soluções para auditar o desempenho clínico e operacional das empresas.

Estados Unidos e Brasil

Com este perfil, o mercado natural da Effy só pode ser o americano. No início de setembro, José Xavier regressou a Washington para lançar o novo produto, acompanhado dos quatro gestores locais que recrutou em empresas do sector de saúde e que, mediante objetivos podem evoluir para acionistas. Um primeiro contrato já foi firmado com uma rede de 12 hospitais da Costa Leste. Os Estados Unidos gastam em saúde tanto como o resto do mundo.

Num negócio que representa 3,5 mil milhões de dólares (2,9 mil milhões de euros) e 18% do Produto Interno Bruto, qualquer ganho marginal tem um efeito relevante. Em Portugal, a Effy conta como cliente com o grupo José de Mello Saúde. Num horizonte de 2020, a Effy conta angariar 20 clientes, investir 3 milhões de euros e faturar 10 milhões — 90% nos mercados de exportação.

O mês passado, José Xavier esteve no Rio de Janeiro e São Paulo, apresentando o produto Effy a redes hospitalares e escrutinando potenciais parceiros para o mercado brasileiro. Uma base em Londres atacará os mercados do norte da Europa

No fundo, a Effy representa uma extensão (spinoff) WeDo, sua parceira tecnológica. José Xavier desafiou a multinacional que se tornou líder mundial no software de segurança e antifraude nos operadores de telecomunicações, a replicar na saúde os méritos da sua solução RAID e seduziu para sócio deste projeto (10% do capital) John Nanclares, que dirigia o sistemas de informação do grupo José Manuel de Mello.