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Banca continua sob pressão,apesar de melhorias

Marcos Borga

O Banco de Portugal reconhece que os bancos do sistema financeiro nacional têm feito um esforço para arrumar a casa e que existem progressos face ao passado, mas mantêm-se vulnerabilidades significativas como baixa rentabilidade, elevado nível de imparidades e endividamento

O Relatório de Estabilidade Financeira de dezembro do Banco de Portugal que faz uma radiografia ao sector deteta melhorias para o conjunto dos bancos do sistema destacando o reforço da solvabilidade de alguns bancos. Refere especificamente os aumentos de capital realizados por alguns dos principais bancos a operar no sistema, tais a CGD, o BCP e a Caixa Económica Montepio Geral (CEMG).

A diminuição da exposição do BPI ao angolano BFA e aquisição de controlo por parte do espanhol, CaixaBank e a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star foi também um desfecho que contribuiu para a estabilização do setor em Portugal.

Porém, o relatório é cauteloso e aponta para vulnerabilidades, nomeadamente os elevados níveis de ativos não produtivos, as chamadas imparidades (NPL) que ainda existem no sistema bancário português e que estão acima da média dos seus pares europeus.

Apesar do relatório sinalizar a melhoria verificada nos rácios de créditos não produtivos (NPL) e de cobertura no segmento de sociedades não financeiras, esta não é igual em todos os bancos, pelo que continua a ser necessário reduzir este tipo de ativos e evitar novas situações do mesmo género.

O Banco de Portugal destaca o facto de entre junho de 2016 e junho de 2017 se ter observado "uma diminuição de cerca de €8 mil milhões de NPL, dos quais cerca de €6 mil milhões relativos a ativos não produtivos de sociedades não financeiras.

Sobre esta matéria, o relatório do supervisor da banca refere ainda que "importa, em particular, prosseguir a atual trajetória de redução de NPL, de acordo com os planos acordados com o Mecanismo Único de Supervisão e o Banco de Portugal, em especial dada a necessidades de aceder aos mercados financeiros internacionais para dar cumprimentos aos requisitos regulamentares, incluindo os requisitos mínimos de passivos suscetíveis de absorver perdas em caso de resolução (MERL, no acrónimo inglês). Os bancos vão ter de recorrer ao mercado e se não limparem os ativos não produtivos será mais difícil e mais caro o financiamento que mais cedo ou mais tarde todos terão de fazer.

Exposição elevada a risco soberano

O elevado endividamento das administrações públicas, dos particulares e das empresas "conjugado com baixo crescimento potencial, torna a economia portuguesa mais vulnerável a choques adversos, nomeadamente num contexto em que se prevê o início do processo de normalização da política monetária", refere o Banco de Portugal. E sublinha: "É crucial prosseguir o esforço de redução da dívida pública, assente no reforço do caráter estrutural da consolidação orçamental, e o esforço de desalavancagem das famílias e das empresas em Portugal, tirando partido do enquadramento macroeconómico e financeiro favorável".

O Relatório de Estabilidade Financeira alerta ainda para a a baixa rentabilidade do sector, a elevada exposição da banca ao risco soberano, ao sector imobiliário e a economias emergentes com fraco desempenho económico.

No que toca à dívida pública, o Banco de Portugal, apesar de considerar que este ano se espera uma "inversão da trajetória da dívida pública" é preciso continuar a diminuí-la. Faz uma menção relativamente à plataforma criada para recuperar os créditos difíceis da banca por parte da CGD, BCP e Novo Banco (Plataforma de Gestão Integrada de Créditos) , alertando para o facto de esta não ter um efeito imediato porque os ativos continuam no balanço dos bancos e, por isso, não se espera a curto prazo um impacto significativo.