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Governo prepara novo pacote de 40 monumentos para concessão turística em 2018

A Quinta do Paço de Valverde em Évora é o quarto concurso do Revive aberto até à data

D.R.

Na próxima semana vai ser aberto mais um concurso do programa Revive, para o convento Paço de Valverde em Évora. Em 2018 as concessões turísticas serão alargadas a mais monumentos ao abandono

Vai ser lançado na próxima semana o concurso público para privados interessados na concessão turística da Quinta do Paço de Valverde, em Évora. Trata-se do quarto concurso aberto até ao momento no âmbito do Revive, programa lançado pelo Governo em 2016 com o objetivo de revitalizar, através de concessões turísticas, património que está ao abandono ou sem utilização.

Além do pacote inicial com 33 edifícios patrimoniais identificados para concessão turística, já estão neste momento a ser analisados mais 40 monumentos nacionais para reforçar em 2018 o programa Revive, segundo avançou ao Expresso o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

"Estes 40 novos monumentos estão ainda em fase de análise, e o número final poderá ser menor", ressalvou o ministro da Economia. "Os processos do Revive são complexos, envolvem o património, as Finanças e muitas outras entidades, e estamos a ser muito rigorosos nesta seleção", frisou.

Segundo Caldeira Cabral, até meados de 2018 deverão ficar concluídos todos os concursos relativos aos 33 monumentos para concessão turística identificados na primeira fase do Revive, um processo que tem sido mais moroso face à quantidade de entidades que envolve.

Até ao momento já foram abertos os concursos para o Convento de São Paulo em Elvas (concessionado ao grupo Vila Galé, que está a investir 5 milhões de euros na sua reconversão num hotel de quatro estrelas que irá abrir em 2018), os pavilhões do Parque D. Carlos I nas Caldas da Rainha (adjudicado aos hotéis Montebelo do grupo Visabeira, cujo objetivo é investir ali 15 milhões de euros num hotel de cinco estrelas com a temática das cerâmicas Bordallo Pinheiro) e o Hotel Turismo da Guarda.

O ministro da Economia chama a atenção para o lado positivo do programa Revive também na requalificação destes patrimónios suportada pelos privados, relativamente à qual o Estado nunca teria dinheiro para financiar.

"Estes monumentos estavam ao abandono e a cair e vão ficar visitáveis e ser transformados em pontos de referência que vão valorizar em muito as regiões, sobretudo no interior", salientou Caldeira Cabral.

Convento agregado à Universidade de Évora

A Quinta do Paço de Valverde que vai agora a concurso data de inícios do séc. XVI e surgiu por iniciativa da diocese de Évora (a Mitra de Évora), inicialmente como local de descanso dos seus membros. Posteriormente, o Infante Dom Henrique fundou nos terrenos da quinta um convento de frades capuchos, cuja comunidade aí se instalou em 1517. Após a extinção das ordens religiosas em 1834, todo o conjunto acabou por ficar na posse do Estado, que aí instalou um posto agrário, mais tarde a Escola Prática de Agricultura, e depois ainda a Escola de Regentes Agrícolas, agregada até aos dias de hoje à Universidade de Évora.

Segundo o 'site' do Revive, "do primitivo edifício quinhentista conservam-se muitos vestígios arquitetónicos, alguns de feição manuelina como é o caso da capelinha existente na cerca conventual, pavimentada com azulejos da primeira metade do século XVI. No denominado Jardim de Jericó, sobressai o lago dos Cardeais, iniciado na segunda metade do século XVII e decorado em volta da estátua de Moisés".

Na Quinta do Paço de Valverde em Évora, o 'site' do Revive (que pode consultar aqui) destaca ainda "pelo seu valor arquitectónico, a capela do convento, um perfeito exemplo de micro-arquitectura renascentista, onde a harmonia do traçado e a planta centralizada em cruz grega revelam rara erudição e atualidade", além das "casas pintadas com vários frescos contíguas à capela do convento".