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Dezembro começa com bolsas no vermelho

Depois de um ganho de 1,8% em novembro, o índice mundial das bolsas perdeu 0,4% na primeira sessão do último mês do ano. O choque foi mais sentido na zona euro, com um recuo de 1,6%. O risco político atormentou Wall Street, mas foi parcialmente anestesiado com a perspetiva de aprovação do choque fiscal de Trump até ao final do ano

Jorge Nascimento Rodrigues

O último mês do ano começou no vermelho. O índice MSCI para o conjunto das bolsas mundiais recuou 0,4% na primeira sessão de dezembro, depois de ter registado ganhos de 1,8% em novembro.

A zona euro foi a ‘região’ com uma queda mais elevada na sexta-feira, com o índice MSCI respetivo a perder 1,6%. As bolsas de Frankfurt e Madrid destacaram-se nas quedas, com o Ibex 35 espanhol a recuar 1,8% e o Dax alemão a cair 1,7%. Outras duas bolsas importantes registaram perdas – Milão com o MIB a cair 1,19% e Paris com o CAC 40 a recuar 1,04%.

O índice PSI 20, em Lisboa, acompanhou a onda vermelha na sexta-feira, mas perdeu apenas 0,23%, depois de três sessões consecutivas de ganhos em novembro. As maiores quedas na primeira sessão de dezembro registaram-se na Jerónimo Martins, que perdeu 2,5%, e na Energias de Portugal (EDP) que recuou 1%. Nos últimos trinta dias, a Pharol liderou as perdas, com um recuo de quase 25%, e a Novabase com uma queda de cerca de 15%.

Abalo em Nova Iorque

As bolsas de Nova Iorque, as duas mais importantes do mundo, fecharam em terreno negativo. O índice MSCI para os Estados Unidos recuou 0,2%, com o Dow Jones 30 a cair 0,17%, o S&P 500 a descer 0,2% e o Nasdaq (das cotadas tecnológicas) a perder 0,38%.

Wall Street sentiu durante a primeira parte da sessão de sexta-feira o regresso em força do risco político com o anúncio de um acordo com a Procuradoria dos EUA por parte de Michael Flynn, o ex-conselheiro de Segurança da Administração Trump, no processo de uma potencial interferência da Rússia nas eleições presidenciais norte-americanas do ano passado. Durante mais de uma hora na parte da manhã, o Dow Jones 30, por exemplo, caiu a pique 1,2%.

O abalo político provocado pelo caso Flynn foi, depois, parcialmente, anestesiado pelas indicações de que o projeto de lei de ‘choque fiscal’ a implementar pela Administração Trump deveria passar no Senado, o que viria a acontecer pela madrugada deste sábado, muito depois do fecho das bolsas.

Choque fiscal de Trump versus choques politico e geopolítico

O projeto lei passou no Senado por 51 votos a favor e 49 contra (todos os 48 senadores Democratas mais o senador Republicano Bob Corker que não ficou convencido de que o impacto do choque fiscal seja neutro em termos orçamentais). Agora terá de ser reconciliado com a proposta dos Republicanos na Câmara de Representantes, a câmara baixa do Congresso, que conta com 435 deputados votantes, contando com uma maioria absoluta Republicana.

Para os analistas, a evolução nas próximas semanas das bolsas nova-iorquinas vai depender, por um lado, da importância que o processo político em torno do caso Flynn assumir e da evolução do risco geopolítico no caso da crise coreana e, por outro, do impacto do ‘choque fiscal’ de Trump que poderá ser aprovado finalmente no Congresso ainda este ano, significando uma importante vitória política da Administração.

O choque fiscal é avaliado como trazendo de volta aos EUA o risco de deriva orçamental. Segundo a análise independente do Joint Committee On Taxation do Congresso o seu impacto líquido será a geração de um ‘buraco’ de 1 bilião de dólares (€840 mil milhões) em dez anos e não um efeito neutral, ou mesmo positivo (contando-se com uma aceleração do crescimento económico), em termos orçamentais, como alegam a maioria dos Republicanos e a Administração Trump.