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Descodificador: boicote ao BCP sem impacto

Luis Barra

A emissão de dívida subordinada do BCP no montante de €300 milhões teve uma procura superior a €900 milhões

Para que serve esta emissão de dívida?

A emissão de dívida subordinada do BCP no montante de €300 milhões, na última quarta-feira, serve para reforçar o rácio de capital Tier 2. A operação de financiamento do banco presidido por Nuno Amado contou com um sindicato bancário, composto pelo BCP, Goldman Sachs, UBS e Societé Géneral, para garantir o sucesso da mesma junto dos investidores. A dívida tem um prazo de 10 anos, até 2027, e o banco irá pagar uma taxa de cupão de 4,5%. Contudo, o BCP poderá reembolsar os investidores ao fim de cinco anos, ou seja, em 2022. Esta tem sido, nos últimos meses, a forma de os bancos se financiarem no mercado através de instrumentos que asseguram o reforço dos seus rácios de capital. Recorde-se que, em maio, o BCP emitiu €1000 milhões em obrigações hipotecárias a 5 anos.

Porque é que alguns fundos ‘boicotaram’ 
a emissão?

No dia anterior à colocação da dívida subordinada do BCP, terça-feira, grandes fundos internacionais, que perderam com a retransmissão de dívida subordinada do Novo Banco para o “BES mau”, fizeram questão de anunciar que não iam participar na operação. Entre estes, estão a BlackRock, a Pimco, a River Birch Capital, a Attestor Capital e a York Capital. No comunicado conjunto que fizeram, alegam que os “os riscos associados a investir ativamente em dívida pública ou privada de Portugal são proibitivos”. E justificam a tese recordando o que aconteceu no caso BES quando o Banco de Portugal (BdP) retransmitiu obrigações subordinados do Novo Banco para o “BES mau”, referindo que esta foi “ilegal e discriminatória”. Grandes fundos colocaram o BdP em tribunal por esta situação.

Que tipo de investidores ficaram com a dívida do BCP?

43% da dívida subordinada colocada pelo BCP foi para investidores do Reino Unido e Irlanda, 17% foi assegurada por fundos ibéricos, 15% por investidores oriundos da Alemanha, Áustria e Suíça e 13% foi tomada por investidores franceses, belgas e luxemburgueses. O mercado asiático tomou 5% e o italiano 3%, tendo 4% das obrigações subordinadas sido distribuídas por outras geografias. Quanto ao tipo de investidores, lideram a tabela gestoras de ativos (asset management) e fundos de investimento de alto risco (hedge funds), com 48% e 37%, respetivamente. 11% da dívida foi tomada pela banca (incluindo bancos de investimento) e 5% por seguradoras e fundos de pensões. Nuno Amado considera que esta operação foi colocada a um “custo muito satisfatório” e revela um “sinal de confiança no BCP” por parte do mercado.

Nuno Amado fechou um ciclo ou fica mais 
um mandato?

Presidente do BCP desde fevereiro de 2012, Nuno Amado já vai no segundo mandato, que termina no final do ano. Poderá ficar, se os maiores acionistas (Fosun e Sonangol) o convidarem para mais um mandato. Amado não abre o jogo sobre se já foi sondado. Em meados de novembro, na apresentação dos resultados do BCP, apenas disse: “Acho que há vontade de manter alguma continuidade.” O que quer dizer que, se for desafiado para mais um mandato, poderá vir a aceitar. Durante os seus mandatos teve de reestruturar o banco e emagrecer o negócio e número de trabalhadores (cerca de 2700, entre 2012 e 2017) e recapitalizar o banco através da injeção de €3 mil milhões (CoCos), que acabou de pagar em 2016, entre outras medidas. No final de 2016, liderou a entrada de um novo investidor, a chinesa Fosun, maior acionista com mais de 25% do capital.