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Cláudia Goya sai da PT no início de 2018

Durou pouco tempo o consulado de Cláudia Goya. A gestora ficou apenas quatro meses na liderança da PT

FOTO TIAGO MIRANDA

Negociações já estão em curso. Alexandre Fonseca adiantou que a estratégia da PT é para continuar

Foi uma passagem muito curta a de Cláudia Goya pela PT. Esteve quatro meses na presidência da Comissão Executiva e poderá não ficar muito mais tempo na presidência do Conselho de Administração. Goya, apurou o Expresso, deverá deixar este cargo no início de 2018.

O adiamento da saída da gestora deve-se sobretudo a questões de remuneração, um tópico que será mais fácil de gerir se Cláudia Goya ficar na PT até ao final do ano. Além disso, haverá, soube o Expresso, divergências em relação à indemnização, já que uma parte significativa da sua remuneração estava dependente do prémio de desempenho, que só seria recebido ao fim de dois anos — a gestora quer receber o valor do prémio em proporção dos meses que trabalhou, o que não era a intenção da Altice. As negociações estão em curso. O nome de Cláudia Goya não constava do diretório de trabalhadores do grupo no início da semana, uma situação que foi notada pelos trabalhadores e que entretanto se alterou, pois agora já consta. Porém, a gestora foi vista esta semana a entrar na sede com um cartão de visitante.

A função que foi destinada a Cláudia Goya, a de presidente do Conselho de Administração — antes ocupada por Paulo Neves —, tem pouca intervenção ou influência na gestão da PT, que hoje é apenas uma subsidiária da Altice. A passagem relâmpago pela PT de Goya, ex-diretora da Microsoft Portugal, não deixa de causar surpresa, apesar de no sector ter sido estranhada a sua contratação, dado ter pouca experiência em telecomunicações — a sua mais-valia é no marketing — e a conflitualidade enquanto quadro de topo da Microsoft Brasil, de onde saiu após um conflito laboral.

Estratégia é para manter

Alexandre Fonseca, o novo presidente, visto pelo sector como um gestor que percebe de telecomunicações, já meteu mãos à obra. Esta semana escreveu um e-mail aos trabalhadores onde diz que a estratégia face à PT é para manter e ir até mais longe em 2018. Fonseca, um homem da confiança da Altice e de Armando Pereira, assegura que a PT tem “intacta a sua sustentabilidade e a capacidade de honrar os seus compromissos”. Uma mensagem que sinaliza o interesse da Altice em manter a compra da Media Capital, que está em curso. De qualquer forma, este processo de compra poderá arrastar-se ainda por alguns meses, e muita coisa pode acontecer ao grupo, que tem estado debaixo de uma forte pressão na Bolsa de Amesterdão, onde as ações já perderam mais de metade do seu valor. Na quarta-feira, as ações da Altice bateram o mínimo dos últimos três anos e meio, chegando a cotar-se abaixo dos €7 com que se estrearam em Amesterdão.

Fontes do sector e financeiras sublinham que a Altice terá por agora uma almofada de tempo que lhe permitirá manter a cabeça fora de água, já que a dívida de €49,6 mil milhões só será refinanciada em 2021. Entretanto, a empresa vai vender ativos — já anunciou a alienação de torres de telecomunicações e da operação na República Dominicana, que poderá render €3 mil milhões. Porém, a volatilidade é grande e tudo pode mudar a qualquer momento.