Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros da dívida fecham abaixo de 1,9%, fixam novo mínimo de 31 meses

Juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos encerraram novembro em 1,899%, um mínimo desde abril de 2015 no mercado secundário. Diferença face a Espanha e Itália reduziu-se significativamente

Jorge Nascimento Rodrigues

Novembro marcou a descida dos juros (yields) dos títulos da dívida portuguesa a 10 anos para mínimos de 31 meses, fechando esta quinta-feira em 1,899%. Um valor abaixo de 1,9% já não se registava desde 15 de abril de 2015, no período de dois meses (março e abril) em que os juros estiveram em mínimos históricos no mercado secundário. O mínimo de sempre, neste mercado, verificou-se em meados de março daquele ano, com os juros a caírem para perto de 1,5%.

Os juros das Obrigações do Tesouro (OT) português naquele prazo de referência reduziram-se em 17 pontos base em novembro, muito mais do que o que se registou para os títulos italianos, que viram os juros cair 8 pontos base, e em claro contraste com as obrigações espanholas cujas taxas subiram 1 ponto base.

O prémio de risco da dívida portuguesa recuou 18 pontos base, fechando em 152 pontos base, o equivalente a um diferencial de 1,52 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.

Em virtude de uma redução maior do prémio de risco português em novembro, a diferença em relação a Espanha e Itália encurtou-se signficativamente, de 60 para 43 pontos base em relação ao primeiro caso e de 23 para 15 pontos base.

Leilão com juros em mínimos históricos marca novembro

O mês que finda marca, também, o registo da taxa de colocação mais baixa de sempre num leilão de OT a 10 anos. A 8 de novembro, o Tesouro português pagou 1,939% numa colocação de dívida a 10 anos.

A saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, uma primeira graduação da notação portuguesa para grau de investimento atribuída pela agência de rating Standard & Poor's (S&P) e as decisões do Banco Central Europeu (BCE) em prosseguir o programa de compra de dívida até setembro de 2018 e em reinvestir o capital das amortizações de títulos que vençam contribuíram para a tendência de descida dos juros.

A inflação na zona euro, e em particular a inflação subjacente (excluindo as componentes mais voláteis do índice), continua a não dar sinais claros de uma tendência em direção à meta de proximidade de 2%, como se verificou esta quinta-feira com a divulgação pelo Eurostat das primeiras estimativas para novembro.

Os mercados da dívida soberana valorizam a sequência traçada pelo BCE em prolongar o programa de aquisição de ativos em 2018 deixando em aberto uma data para a descontinuação (recusando a posição de alguns membros do conselho no sentido de se fixar já o seu fecho) e o conselho dado ainda esta semana pela OCDE, no seu Economic Outlook, para que uma subida das taxas de referência seja adiada até 2020.

No próximo mês, dia 15, será a vez da agência Fitch reanalisar a notação portuguesa e os analistas apontam para uma decisão similar à tomada pela S&P em setembro retirando a dívida portuguesa de longo prazo de um rating de 'lixo financeiro'.

  • A inflação subiu ligeiramente em novembro na zona euro regressando aos níveis de agosto e setembro, depois de um recuo para 1,4% em outubro, segundo a primeira estimativa divulgada esta quinta-feira pelo Eurostat