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Autoeuropa está a avaliar rejeição do pré-acordo sobre novos horários

tiago miranda

A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa mantém a intenção de retomar o diálogo com a administração da fábrica de Palmela

A administração da Autoeuropa lamentou esta quinta-feira a rejeição do pré-acordo sobre os novos horários de trabalho na fábrica de automóveis da Volkswagen em Palmela e remeteu para mais tarde uma tomada de posição.

"Lamentamos a rejeição do pré-acordo, estamos a analisar o impacto desta situação e oportunamente tomaremos posição", disse à agência Lusa fonte oficial da empresa.

Após o referendo realizado na quarta-feira, em que mais de 63% dos trabalhadores rejeitaram o pré-acordo, a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa anunciou a intenção de retomar o diálogo com a administração da fábrica de Palmela.

Em comunicado divulgado pouco depois de ser conhecida a rejeição do pré-acordo dobre os novos horários de trabalho, a Comissão de Trabalhadores defendeu que "as condições estabelecidas [no pré-acordo], ao contrário do que alguns pretenderam fazer crer, representavam uma melhoria para os trabalhadores em relação ao que já anteriormente tinha sido proposto e igualmente rejeitado".

O trabalho ao sábado (e a remuneração dos sábados, que deixariam de ser pagos como trabalho extraordinário), a par da laboração contínua a partir de agosto de 2018, foram os principais motivos de contestação por parte dos trabalhadores da Autoeuropa.

Alguns trabalhadores contactados pela agência Lusa consideraram que a vinda de um novo veículo (T-Roc) de grande produção era a oportunidade para melhorarem as condições de trabalho, mas outros receiam que as reivindicações acabem por prejudicar a imagem da fábrica junto da Volkswagen.

"A Volkswagen até pode manter aqui a produção do T-ROC, mas pode começar a privilegiar outras fábricas na atribuição de novos veículos, o que poderá comprometer o futuro da Autoeuropa", disse um trabalhador que votou favoravelmente o pré-acordo rejeitado pela maioria dos funcionários da empresa.

No passado mês de julho, 74% dos trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram um primeiro pré-acordo sobre os novos horários, que tinha sido negociado pela anterior Comissão de Trabalhadores, a que se seguiu uma greve histórica, em 30 de agosto, a primeira por razões laborais na fábrica de Palmela do grupo Volkswagen.
A anterior Comissão de Trabalhadores apresentou a demissão face à rejeição do pré-acordo no referendo realizado em 29 de julho.

A administração da Autoeuropa considera que a laboração contínua na fábrica de Palmela é fundamental para assegurar o volume de produção estimada do novo veículo T-Roc, que poderá atingir as 240 mil unidades em 2018.