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Powell quer Fed politicamente neutra

O jurista e financeiro indicado por Trump para chefiar a partir de fevereiro o banco central dos EUA pretende que a Reserva Federal continue “independente e não partidária”, na declaração que lerá esta terça-feira à tarde perante a Comissão do Senado que vai apreciar a sua candidatura

Jorge Nascimento Rodrigues

“Farei tudo o que estiver ao meu alcance para alcançar as metas [definidas pelo mandato dual do banco central dos Estados Unidos, estabilidade de preços e máximo emprego] preservando o estatuto de independência e não partidário da Reserva Federal (Fed), que é tão vital para o prosseguimento daquelas metas”, refere Jerome Powell na intervenção que vai ler esta terça-feira à tarde (hora de Portugal) perante uma Comissão do Senado norte-americano em defesa da sua candidatura a próximo presidente da Fed.

O presidente indigitado para liderar até fevereiro de 2022 afirma que pretende que o banco central tome as suas decisões de política monetária “de um modo objetivo e baseado na melhor evidência disponível”.

A própria Reserva Federal divulgou na segunda-feira ao final da noite (em Washington) a intervenção que o jurista e financeiro escolhido por Trump para suceder a Janet Yellen vai proferir perante o Comité sobre Banca do Senado que deverá iniciar hoje a audiência de confirmação da sua candidatura. Powell irá acompanhado da mulher.

Na intervenção, o membro do conselho de governadores desde 2012 confirma o que tem dito – prosseguirá a estratégia de gradualismo na subida das taxas de juro e de redução do balanço do banco, posta em prática pela sua antecessora, e está disponível para mexer na regulação aprovada em resposta ao colapso financeiro de 2008, desde que “preservando as reformas fundamentais – níveis elevados de capital e liquidez, testes de esforço e planeamento da resolução”.

Powell sublinha que pretende manter “a flexibilidade [da Fed] para ajustar as políticas em resposta” à situação concreta e que o banco central estará preparado para “responder decisivamente e com a força apropriada a ameaças inesperadas e novas para a estabilidade financeira e a prosperidade económica”.

Menciona que teve o “enorme privilégio” de ter sido membro do conselho da Fed sob a liderança de Beb Bernanke (que liderava quando Powell entrou no conselho em 2012) e Janett Yellen e que é um “forte apoiante” da atual estrutura de decisão da política monetária norte-americana através de um Comité (conhecido pelo acrónimo FOMC) que permite a “diversidade de perspetivas”.

A indicação de Powell terá primeiro de ser aprovada pela maioria deste Comité que o vai examinar para depois passar a votação no Senado norte-americano. Esta Câmara alta do Congresso tem 100 membros, atualmente 52 Republicanos e 48 Democratas. Basta uma maioria simples para ser nomeado.

Janet Yellen passou em novembro de 2013 no 'exame' do Comité por 14 votos a favor e 8 contra. Em janeiro do ano seguinte, no Senado, recolheu 56 votos a favor (45 Democratas e 11 Republicanos) e 26 contra, com 18 que não votaram.

  • Candidato a presidente da Fed vai a exame no Senado

    Começa esta terça-feira no Senado norte-americano a audição de Jerome Powell para ocupar a cadeira mais importante dos bancos centrais do mundo, a de presidente da Reserva Federal (Fed). A dúvida é se vai demonstrar ser uma “Yellen de calças”, tranquilizando os Democratas e os Republicanos moderados, ou se vai mostrar que quer deixar uma pegada diferente, indo ao encontro dos desejos de Donald Trump que quer a sua ‘marca’ na Fed