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Saúde e tecnologias são carreiras do futuro

Os profissionais com competências na área energética estão na mira dos recrutadores

FOTO WIDODO S. JUSUF/reuters

Profissionais de saúde, tecnologias e energia deverão ser os mais procurados pelas empresas até 2026

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

As contas são do Bureau of Labour Statistics (BLS), o departamento americano de estatísticas laborais, mas identificam uma tendência que é global. Até 2026, profissionais como técnicos especializados em instalação de sistemas fotovoltaicos ou eólicos registarão um aumento das oportunidades de emprego que poderá alcançar os 105,3%.

Na lista das profissões com maior potencial de crescimento de oportunidades, estão também algumas funções ligadas ao sector da saúde e das tecnologias. Em Portugal, a tendência confirma-se.

Os últimos relatórios das consultoras de recrutamento Hays e Manpower já davam conta de uma aposta no recrutamento de profissionais nas áreas da saúde, tecnologias de informação e algumas áreas muito específicas da engenharia — nomeadamente as ligadas ao sector energético — em Portugal. Mas é agora o departamento de estatísticas laborais americano a traçar o panorama global da empregabilidade.

O emprego do futuro será maioritariamente técnico e tecnológico. Por outras palavras, na radiografia que faz, o BLS dá conta que perfis como os especialistas em instalação de sistemas fotovoltaicos poderão registar num horizonte de nove anos, até 2026, um crescimento de 105,3% na procura por parte das empresas. O mesmo com os técnicos de instalação de turbinas eólicas que, à luz das previsões do organismo de estatísticas, poderão ver a sua procura registar aumentos na ordem dos 96,1%.

Em Portugal, dar resposta às empresas que procurem estes profissionais poderá não ser tarefa fácil já que o país ainda regista carência de profissionais com qualificações específicas no sector energético e, garantem os especialistas, não há grande interesse das camadas mais jovens por formação técnica e profissionalizante nesta área. No campo, por exemplo, da certificação profissional para instaladores de sistemas fotovoltaicos (profissão que lidera o aumento da procura no mercado), Fernando Fonseca, porta-voz do departamento de formação do grupo de consultoria técnica e formação ISQ, não tem dúvidas: “Não vejo grande interesse dos jovens em ter formação nesta área”.

O especialista reconhece que é uma área com carência de profissionais e com boa empregabilidade, mas confirma que o último curso profissionalizante (com equivalência ao 12º ano) que a empresa realizou nesta área foi em 2010. Desde então não tem registado o interesse das camadas mais jovens. “Quem procura formações de curta duração nesta área, sempre que há uma alteração do quadro legal que justifique atualização de competências, são os profissionais já no ativo — nomeadamente os eletricistas — que querem aprofundar conhecimentos na área”, afirma. As estimativas da Organização Internacional do Trabalho apontam para que, até 2030, o sector da energia seja gerador de 25 milhões de novos empregos.

Em Portugal, a previsão é de que nesse horizonte possam surgir 50 mil novos empregos na área das energias renováveis, eficiência energética ou inteligência energética.

Saúde aumenta procura

Da lista do BLS de profissões que podem registar maiores incrementos na procura, estão também os serviços de apoio domiciliário, que se revestem de particular importância em sociedades tendencialmente envelhecidas — recorde-se que o Instituto Nacional de Estatística estima que, em 2080, Portugal possa ter 2,8 milhões de idosos num índice de envelhecimento de 317 idosos por casa 100 jovens no país —, os médicos, auxiliares de ação médica e enfermeiros com um potencial de crescimento de procura no mercado de 46,7%, 37,4% e 36%, respetivamente. Analistas de dados, fisioterapeutas, programadores e engenheiros de software e matemáticos encerram a lista de profissionais que, segundo o BLS, poderão registar maior procura no mercado, a nível global, até 2026.

As previsões do organismo internacional revelam que a maior redução de oportunidades de emprego prevista para os próximos anos se fará, maioritariamente, nas áreas de serviços administrativos. Ou seja, nas funções onde a tecnologia pode ser uma solução de substituição. Entre os profissionais que asseguram funções de secretariado não especializado (de fora ficam administrativos ligados aos sectores legal, médico e executivo), por exemplo, a previsão é de que a redução de oportunidades ronde os 164,8%. Uma percentagem que será um pouco inferior nas funções de secretariado executivo (119,1%) e nas secretárias que trabalham especificamente na área do Direito, onde a redução das oportunidades de emprego não irá além dos 37,1%. Carteiros (-38,2%) e guardas prisionais (-34,5%) figuram também na lista de profissionais que verão as suas oportunidades de emprego reduzir nos próximos anos.