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“Privatização da ANA limitou o Estado a tomar decisões sobre o novo aeroporto de Lisboa”, diz Lacerda Machado

D.R.

Segundo o administrador da TAP, vai ser acelerada a solução do Montijo, e o processo seria mais rápido sem a ANA privatizada

Se a ANA não fosse privatizada, as decisões sobre o novo aeroporto de Lisboa seriam muito mais rápidas - defendeu Diogo Lacerda Machado, administrador não executivo da TAP, no congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) que terminou hoje, 25 de novembro, em Macau.

Respondendo a uma das maiores preocupações do sector do turismo - o esgotamento da capacidade do aeroporto - o administrador da TAP nomeado pelo Estado adiantou ter "esperança que todos vamos fazer alguma coisa para acelerar a solução do Montijo". E lembrou que "nos muitos estudos que se fizeram nos últimos 40 anos sobre tráfego aeroportuário em Lisboa, enganámo-nos sempre, a realidade superou sempre essas projeções".

Mas frisou que a privatização da ANA criou neste campo "constrangimentos" ao Estado, que ficou com o espaço de manobra diminuído e aumentou o processo de decisão.

"A privatização da ANA foi um extraordinário negócio para os privados que o souberam fazer", sustentou Lacerda Machado, frisando que esta privatização resultou de "pulsões liberais" e acabou por limitar o papel do Estado nesta área estratégica. "Ficamos com as políticas públicas de desenvolvimento de infraestruturas aeroportuárias em Portugal condicionadas por décadas", salientou. "O Montijo aí virá, e esperamos que o Montijo sirva durante algum tempo".

Sobre a privatização da TAP, Lacerda Machado considera que foi "um trabalho extraordinário que conseguiu trazer uma solução de futuro" para a transportadora. Segundo o administrador, 2018 perfila-se "um ano muito interessante para a TAP", sobretudo com "os novos aviões que aí vêm permitindo economias de 15% a 20% em combustível", além de reforçar as operações no Atlântico norte (Estados Unidos e Canadá).

* A jornalista viajou a convite da APAVT