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Juros da dívida. Duas semanas consecutivas abaixo de 2%

Os juros das Obrigações do Tesouro no prazo de referência, a 10 anos, concluíram uma segunda semana consecutiva com fechos diários abaixo de 2% no mercado secundário da dívida. Já negociaram abaixo de 1,9%

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro a 10 anos fecharam esta sexta-feira em mínimos de 31 meses no mercado secundário da dívida soberana, descendo para 1,932%. Há duas semanas consecutivas que se registam fechos diários abaixo de 2%. Em três sessões da semana que agora findou, chegaram a negociar abaixo de 1,9%.

O nível no mercado secundário já está ligeiramente abaixo da taxa de colocação de 1,939% paga pelo Tesouro no leilão de dívida a 10 anos realizado a 8 de novembro. Então, verificou-se a taxa mais baixa de sempre em leilões de dívida portuguesa naquele longo prazo.

No mercado secundário, o mínimo histórico, com juros (yields) perto de 1,5%, foi registado em março de 2015, no mês em que o Banco Central Europeu (BCE) lançou o programa de aquisição de dívida pública no mercado secundário. No entanto, na altura, o Tesouro português não realizou leilões de dívida a 10 anos.

A decisão tomada pelo BCE em prolongar o programa de compra de dívida até final de setembro de 2018 e o facto da maioria dos membros do seu conselho optar por deixar em aberto o fecho do programa reforçaram a tendência de descida dos juros da dívida. A reafirmação por Mario Draghi de que o capital recebido pelo BCE nas amortizações dos títulos de dívida pública será reinvestido em dívida dos seus emissores garante um fluxo adicional ao plano mensal de compras, fluxo que irá "muito para além" do próprio fecho do programa, quando este for anunciado.

O fracasso das negociações para uma coligação em Berlim incluindo os Liberais do FDP, afastando estes do controlo das Finanças alemãs, está a ser interpretado por muitos analistas como diminuindo a pressão política sobre o conselho do BCE e sobre o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE). O FDP defendeu em setembro, na campanha eleitoral para as legislativas federais alemãs, o fim do programa de compra de ativos pelo BCE e a extinção do MEE.