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Estudantes chineses vão poder trabalhar nos hotéis nacionais

Ana Mendes Godinho esteve esta semana em Macau onde decorre o congresso da APAVT

FOTO António Mil-Homens/Lusa

Governo quer compensar falta de mão de obra já em 2018

Conceição Antunes

Conceição Antunes

em Macau

Jornalista

Os hotéis portugueses vão poder ter em 2018 estudantes de turismo chineses a atender os seus hóspedes. Foi uma missão que levou esta semana Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, a Macau, num trabalho à margem do congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) naquele território da China, onde também participou.

“O turismo chinês está este ano com crescimentos de 40% em Portugal, até setembro os hóspedes chineses nos hotéis foram cerca de 191 mil, e isto em cima do aumento de 18% no ano passado”, salientou Ana Mendes Godinho, antecipando a continuação deste crescimento nos próximos anos, alimentado sobretudo pela rota aérea direta entre Portugal e à China que arrancou em 2017. “Foi uma vitória histórica que resultou nestas taxas de crescimento fantásticas. Não há dúvida de que, para Portugal, o mercado chinês é o mercado do futuro”, sublinhou.

Num programa de trabalho que envolveu vários encontros com investidores, Ana Mendes Godinho foi ao Instituto de Formação Turística de Macau contratar a vinda de estudantes formados por aquela escola “e numa lógica de levar estagiários para hotéis que queiram receber turistas chineses”. Frisa que este intercâmbio já existe e que em 2017 houve 11 estudantes chineses em escolas de turismo nacionais. “O objetivo é que em 2018 os estudantes chineses possam ir diretamente para os hotéis, e temos já dois grupos interessados, entre 14 empresas turísticas nacionais que têm tido uma participação regular em workshops relacionados com o mercado da China”, adiantou. Ter pessoas a falar mandarim é um dos requisitos de base identificados pelos hotéis para conseguir trabalhar em escala o turismo chinês, além de ter canais de televisão ou servir pequenos almoços adotados aquele mercado.

Falta mão de obra 
no turismo

A falta de mão de obra qualificada constitui de momento a principal preocupação do sector do turismo, tendo sido esta a tónica do congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que decorreu na semana passada em Coimbra. Lembrando que o turismo criou 70 mil postos de trabalho entre setembro de 2016 e setembro de 2017 e que continua a crescer a oferta ao nível de novos hotéis, Ana Mendes Godinho salientou que “as escolas de turismo nacionais, que formam anualmente três mil alunos não têm capacidade de alimentar a procura de turismo que neste momento existe no país”. Atualmente há 350 mil pessoas a trabalhar no turismo, e o aumento de emprego no sector foi no ano passado de 18%. “Há hoje um desafio enorme a nível da qualificação dos trabalhadores, mas também dos salários”, sustentou a secretária de Estado do Turismo, frisando que “os trabalhadores do turismo também têm de ser mais bem pagos e ter melhores condições, os próprios empresários vão começar a ter noção disto se quiserem fixar as pessoas e perante a grande mobilidade de emprego que está a haver neste sector”.
Nesta viagem, Ana Mendes Godinho salientou ainda que se está a fazer uma promoção conjunta da Península Ibérica, vendendo aos chineses a ideia de que “podem conhecer dois países diferentes” e com uma rota a partir de Portugal.

O Expresso viajou a convite da APAVT