Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Empresários preocupados com o Governo

A Deloitte questionou os líderes das maiores empresas no país sobre as ameaças e prioridades do negócio

O que preocupa os líderes das maiores empresas em Portugal? Esta é uma das perguntas que deu o mote ao estudo “CEO Views”, realizado pela consultora Deloitte, que questionou os presidentes das 250 maiores empresas em Portugal sobre as ameaças com maior impacto para o seu negócio, bem como as estratégias que consideram prioritárias. As respostas não deixam margem para dúvidas: a ação governativa e o desenvolvimento tecnológico estão no topo das preocupações das grandes empresas. Grandes companhias de que as ‘500 Maiores & Melhores Empresas em Portugal’, uma iniciativa da revista “Exame” em parceria com a Deloitte e a Informa D&B, traça o retrato anual (a edição de 2017 chega às bancas em dezembro).

Os números são claros. Questionados sobre em que medida um conjunto de potenciais ameaças teriam impacto no crescimento do seu negócio nos próximos 12 meses (os dados foram recolhidos entre 21 de agosto e 8 de setembro), 62% dos líderes empresariais que responderam (37 respostas recebidas, o que corresponde a uma amostra de 15% do universo) apontaram as questões de regulação pública como tendo impacto elevado. E esta não é a única área da ação governativa no topo das preocupações das grandes empresas. Em terceiro lugar nesta lista, com 45,9% dos líderes a atribuírem-lhe uma classificação de impacto elevado, surge a instabilidade fiscal.

“O Estado hoje é incontornável nas economias de mercado pela via regulatória e fiscal”, destaca Jorge Marrão, sócio da Deloitte. Isto porque “a atividade das empresas é muito afetada por regulação extensa e complexa, levando os empresários a estar muito preocupados com possíveis alterações neste domínio. E o mesmo se passa com alterações fiscais”, concretiza. Por exemplo, “qualquer investimento assenta em determinados pressupostos em relação ao regime fiscal aplicável”, nota Jorge Marrão. Se há instabilidade fiscal, “aumenta o prémio de risco do país, ou seja, os investidores investem com mais precaução e querem taxas de retorno mais elevadas”, alerta.

Destaque ainda para o tema dos desenvolvimentos tecnológicos, que 54,1% das empresas consideraram ser uma ameaça com impacto elevado, ficando na segunda posição desta lista. “As tendências que estão a ocorrer em muitas atividades, derivadas da evolução tecnológica, afetam drasticamente o comportamento dos consumidores e das próprias empresas”, frisa Jorge Marrão. No limite, “pode levar as empresas a sair do mercado”, reconhece. Em causa estão transformações como a digitalização, a inteligência artificial ou a internet das coisas, entre outras. Por fim, as pressões financeiras (incluindo acesso limitado a capital, pressões deflacionistas e subida das taxas de juro) e a subida dos custos do trabalho/acesso a trabalho qualificado fecham o top 5 das ameaças com impacto elevado.

Internacionalização fora 
do topo das prioridades

A Deloitte também perguntou aos líderes empresariais sobre prioridades para o seu negócio nos próximos 12 meses. E no topo surge o lançamento de novos produtos ou serviços, com 82,9% a apontarem esta estratégia como muito provável. Segue-se o desenvolvimento de canais digitais (80%), a eficiência de processos (77,1%), o controlo de custos (74,3%) e o crescimento orgânico (71,4%). Já a internacionalização surge apenas na 6ª posição, com 62,9% dos líderes a considerarem esta estratégia como muito provável.

Por fim, questionados sobre os mercados que representam as melhores oportunidades para um crescimento significativo da empresa (até um máximo de três), 61% dos líderes escolheram Portugal. Um sinal da importância atribuída ao negócio doméstico. Seguiram-se Espanha (30%) e Estados Unidos (21%). E só depois surgem mercados tradicionais de aposta de internacionalização das empresas portuguesas, como Angola (15%) e Moçambique (12%), com a China no mesmo patamar (12%).