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Não faz sentido falar em interioridade

LUCILIA MONTEIRO

Esta é uma das grandes conclusões do IX Encontro Fora da Caixa, que tem percorrido o país e desta vez realizou-se em Viseu

Portugal é um país pequeno, com 200 km entre a fronteira com Espanha e os portos do Atlântico, pelo que não faz sentido falar em interioridade. Esta uma das linhas principais saída do Encontro Fora da Caixa, iniciativa da Caixa Geral de Depósitos, ao qual o Expresso se associa, que decorreu hoje em Viseu e onde se debateu a interioridade, desafios e oportunidades.

“Na Europa Portugal é periférico, somos um país de litoral e temos que olhar bem para o mar e aproveitar esta potencialidade e perder esta adjetivação, que não nos traz vantagem”, considerou Pedro Polónio, administrador da Patinter, uma das maiores empresas de transporte da Europa.

Francisco Cary, administrador CGD, concorda, “Portugal é um território pequeno e não faz sentido falar em interior. Temos assimetrias, mas as cidades médias têm criado os seus fatores de atratividade e conseguido encontrar os seus modelos de desenvolvimento”. É o caso de Viseu onde cortiça e as madeiras, transportes e industria alimentar são os grandes eixos de produção, numa região onde a CGD tem 38% da quota do crédito e onde “apenas precisamos encontrar talento, esse é o grande desafio”, adiantou Luís Abrantes. O administrador da Movecho, que trabalha em design de madeira e cortiça, considera que “mais que interioridade temos que inovar e isso não se decreta. Inovar tem que fazer parte da cultura da empresa, tem que ser disseminado e competir tem que ser com a inovação”, disse o gestor, que lembrou que dos 200 trabalhadores que tem na empresa 44% são licenciados.

Pedro Polónio, que recordou que “a interioridade nem sempre é geográfica”, defendeu que “as principais entropias estão na falta de conclusão de algumas acessibilidades”.

Apesar disso, retomou Luís Abrantes, “para as pessoas virem para o interior têm ter sobretudo qualidade de vida e isso nós temos”.

Félix Ribeiro, professor do ensino superior e consultor da Fundação Gulbenkiam remata: “Viseu é capaz de polarizar uma região, o centro, articulando interior e litoral”, e isso não é problema: “É vantagem”.