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Cervejeiras. Calor ajuda ao negócio, seca preocupa indústria

Divulgação

A indústria cervejeira é uma grande consumidora de água. A seca é uma fonte de preocupação

A indústria cervejeira vive um dilema entre o calor e a seca. O verão quente e prolongado é uma boa notícia, puxando pelo consumo.

Este ano, o mercado cresce em volume 5,1%, impulsionado pelo desempenho favorável (7,3%) do canal de hotelaria e restauração, o segmento com maior peso no negócio das cervejeiras. O calor ajuda e a dinâmica turística é um fator fundamental para a recuperação do mercado. O consumo de cerveja de pressão é segmento que mais cresce.

"O mercado cervejeiro em Portugal está em modo de recuperação, mas está ainda 15% abaixo do nível pré-crise, de 2010", reconhece Rui Lopes Ferreira, o presidente executivo do Super Bock Group (SBG). Em 2016, o consumo crescera 3% e em 2015 ficara inalterado. Em Espanha, "o sector já superou o que perdera nos anos da crise. Mas, em Portugal todos os anos sofremos um agravamento fiscal, por via do imposto especial sobre a cerveja, como voltará a suceder em 2018".

A ameaça da seca

Mas, há um reverso nesta moeda. A seca. A indústria é uma grande consumidora de água e, apesar de lidar com furos próprios, a seca é uma fonte de preocupação. A falta de água "é um fator crítico quando falamos de águas industriais", reconhece Rui Lopes Ferreira.

A água é a principal matéria-prima — por cada litro de cerveja, uma cervejeira precisa de quase um litro de água. Mas, para essa água "temos furos de grande profundidade, que nos protegem da seca".

O risco está na água industrial, usada em processos, como os de lavagem. Os furos "são menos profundos e a água pode escassear, apesar de sermos um grupo muito eficiente no consumo de água", acrescenta o presidente do SBG. O rácio "é de menos de 3 litros por litro de cerveja produzido, quando há empresas e que esse valor é de 10". A mesma preocupação verifica-se nas unidades das águas não nas captações, mas na água para fins industriais.

No caso da Central de Cervejas, a realidade é diferente. A empresa conta com furos próprios mas a principal fonte de abastecimento vem da água pública, fornecida pelos serviços municipais. Por isso, diz que é um problema transversal à indústria, cabendo à associação do sector tomar uma posição sobre os efeitos da seca. Mas, contactada pelo Expresso, a associação não se pronunciou.