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Descodificador: Contra as fake news lutar, lutar

Foto John Thys/AFP/Getty Images

A União Europeia criou um grupo de peritos e lançou uma consulta pública para elaborar uma estratégia de combate às notícias falsas

Que medidas anunciou Bruxelas esta semana?

A Comissão Europeia lançou esta semana uma consulta pública para definir a dimensão do problema das notícias falsas e da desinformação online, avaliar as medidas já tomadas por vários atores e recolher ideias para ações futuras de combate. Para esta consulta podem contribuir, até meados de fevereiro, cidadãos, redes sociais, órgãos de comunicação social, investigadores e autoridades públicas. Além disso, a União Europeia (UE) anunciou a criação de um grupo de peritos de alto nível (com representantes do mundo académico, plataformas online, órgãos de comunicação social e organizações da sociedade civil) para ajudar a Comissão na elaboração de uma estratégia europeia de combate à propagação de notícias falsas, a ser apresentada na primavera de 2018.

Qual é a necessidade de uma estratégia europeia?

A difusão online de notícias enganadoras — com motivações políticas ou comerciais — é um problema crescente, que ganhou expressão com a internet e as campanhas de desinformação russa em relação ao Ocidente e à situação na Ucrânia e adquiriu novos contornos nas eleições presidenciais norte-americanas (com Trump a tirar partido delas e a acusar as notícias, quando não lhe agradam, de serem falsas). A responsável pelo Centro de Estratégia Política da Comissão Europeia, Ann Mettler, alertou para o facto das ‘fake news’ “colocarem em causa a democracia”. É neste contexto que surge a estratégia da UE, com foco nas notícias falsas que não são ilegais e, por isso, não sujeitas às medidas legislativas e de autorregulação para o discurso de ódio, terrorismo ou difamação.

Que posição têm tomado as empresas tecnológicas?

Muitas têm sido as situações em que as grandes tecnológicas são acusadas de darem destaque a notícias erróneas no seu motor de busca ou no mural. Foi por isso que, durante a Web Summit, Ann Mettler apelou a empresas como o Facebook, Google e Twitter para fazerem mais na resolução deste problema. A Google reconheceu que “não tem feito o melhor trabalho”. E se em 2016 Mark Zuckerberg negava que as notícias falsas difundidas no Facebook tinham dado a vitória a Trump nas eleições dos EUA, hoje está focado em erradicá-las. Sensibilização, ferramentas que permitem aos utilizadores reportarem conteúdo falso e parcerias com organizações não-governamentais e editores para melhorar qualidade dos resultados de pesquisa são algumas das medidas que começam a ser implementadas.

Que projetos já existem para combater as notícias falsas?

Comecemos por Bruxelas. Em 2015 foi criado na UE um grupo de trabalho de comunicação estratégica para o Leste, com o objetivo de identificar, analisar e sensibilizar as pessoas (nas redes sociais, através de um boletim informativo e de uma página online) para as campanhas de desinformação russa. A equipa gere também um site, em russo, que informa sobre a política externa e parcerias da UE, com especial foco no Leste da Europa. Além disso, órgãos de comunicação social e outras organizações têm procurado combater as fake news — umas mais recentemente, como o projeto FactCheck.org do Centro Annenberg para Políticas Públicas (Universidade da Pensilvânia), outras há mais tempo, como o Snopes.com, criado em 1994 para investigar mitos e rumores, mas que foi evoluindo para um site de verificação de factos.