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Prémio REN: o futuro da energia passa por aqui

Bruna Daniela Costa Tavares, vencedora do Prémio REN 2017, que há 22 anos premia as melhores teses de mestrado na área da energia

Luís Barra

O Prémio REN, que este ano celebra a sua 22ª edição, foi entregue esta sexta-feira numa cerimónia no hotel Ritz, em Lisboa. Antes houve tempo para um debate sobre o que vai transformar o futuro da energia e quais os grandes desafios que isso vai trazer

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Bruna Daniela Costa Tavares foi a grande vencedora do Prémio REN 2017, que há 22 anos premia as melhores teses de mestrado na área da energia e foi entregue esta sexta-feira numa cerimónia no hotel Ritz, em Lisboa, um encontro com o apoio do jornal Expresso. A aluna da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) desenvolveu, na investigação que fez, um novo método para monitorizar a rede elétrica nacional que vai permitir que haja mais segurança de abastecimento, ou seja, ainda menos falhas de eletricidade.

O segundo e terceiro prémios foram atribuídos, respectivamente, a Rui Filipe Mirra dos Santos, do Instituto Superior Técnico (IST), que estudou o aproveitamento das energias renováveis num edifício inteligente, e a José Miguel Gomes Campos Costa, também da FEUP que avaliou a fiabilidade de uma microrede de energia, neste caso alimentada a energia solar. (Saiba mais sobre os vencedores na edição deste sábado 18 de Novembro).

O júri, liderado pelo engenheiro e professor da FEUP, João Peças Lopes, atribuiu ainda duas menções honrosas a Ricardo Jorge de Lima Capão e a Luís Acácio Mendes Marques, ambos alunos da Faculdade de Engenharia do Porto.

No total, o prémio entregue ascende €24 500, dos quais €12 500 são para o primeiro prémio, €6 500 para o segundo, €3 500 para o terceiro e mil euros para cada uma das menções honrosas.

“Isto é um evento muito importante. Somos uma empresa de tecnologia e vivemos muito de inovação e este prémio é uma oportunidade de distinguir quem estuda e quem investiga, Começou em 1995 e mantém-se válido porque queremos aproximar-nos da realidade científica”, disse o CEO da REN, Rodrigo Costa, no arranque desta cerimónia.

Esse foi, aliás, o desafio que o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, lançou às empresas no discurso de encerramento desta cerimónia, ou seja, que trabalhem mais com as universidades para ir buscar jovens e empregá-los ou para que eles e as suas investigações os possam ajudar a ganhar mais competitividade. Para Manuel Heitor, os trabalhos premiados pela REN demonstram muito bem como as investigações destes alunos podem contribuir para um país mais sustentável, porque estudaram formas de aproveitar melhor as energias renováveis, mas também para destacar Portugal como exemplo no estudo dessas soluções e como exemplo na qualidade académica.

Para o presidente da Impresa, Francisco Pinto Balsemão, esse é precisamente o problema: já não é como destacar a qualidade académica dos alunos, porque eles até já são bastantes requisitados, o desafio, disse, é mesmo como manter esses recursos cá. “Há um enorme apetite internacional pelos nossos melhores recursos e é cada vez mais difícil para as nossas empresas integrarem e reterem esse talento. Não será o caso da REN, mas é um sintoma geral”, comentou. E acrescentando: “Há décadas que discutimos a necessidade de virar as nossas escolas para as tecnologias, engenharias e matemática, mas é preciso acelerar este processo, fixá-los [aos jovens] e dar-lhes condições. Só assim vamos conseguir que as empresas, o país e a Europa se mantenham competitivos”, disse.

Nesse sentido, Francisco Pinto Balsemão destacou a importância que o Prémio REN tem na concretização deste objetivo e notou que os projetos vencedores “são a prova de que, com inovação e energia tudo é possível”.

E foi precisamente sobre inovação e energia o tema do debate que precedeu a entrega dos prémios. Até porque é disso que tratam os trabalhos dos vencedores. (Saiba mais sobre o que está a transformar a energia na edição de 25 de Novembro do jornal Expresso).

O secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, deu o mote, lembrando o empenho do Governo na inovação, por exemplo nas interligações de energia, nomeadamente com Marrocos. Mas na discussão que lhe seguiu, e que contou com intervenções do COO da REN, João Conceição, do professor João Peças Lopes e ainda do CEO da Efacec, Ângelo Ramalho, o foco foi mais na forma como as inovações que estão agora a ser desenvolvidas vão ajudar a melhorar a integração das renováveis na rede elétrica nacional mas, acima de tudo, ajudar o consumidor a pagar menos pela conta de electricidade.