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Soares da Costa. Plano propõe perdão de metade da dívida a todos os credores

A Soares da Costa propõe um corte de metade da dívida de 700 milhões de euros. Estado e trabalhadores escapam. A operação de Moçambique será vendida e gera 20 milhões

A seis meses da construtora celebrar o centenário. a administração da Soares da Costa (SdC) apresentou esta quarta-feira a nova versão do Plano Especial de Revitalizar (PER), corrigindo as falhas que o juiz do Tribunal do Comércio de Gaia indicara como lesivas da equidade entre credores.

A banca, portuguesa e angolana, e todos os fornecedores devem perdoar metade da dívida para viabilizar a sobrevivência da construtora. O que sobra é pago em 18 anos.

As dívidas aos trabalhadores (mais de 4 milhões) e ao Estado serão pagas na íntegra, em prestação anuais.

No caso da banca, há mais 15% da dívida que fica dependente dos lucros gerados pelo grupo e será paga de uma só vez ao fim de 18 anos, o horizonte temporal da reestruturação financeira. A construtora espera regressar aos lucros em 2020.

700 milhões de dívidas

As dívidas vencidas somam 700 milhões de euros, cabendo à Caixa Geral de Depósitos (CGD) a maior fatia - 160 milhões. BCP e Bankinter são outros credores bancários relevantes do lado português, enquanto o Banco Millennium Atlântico é o principal credor angolanao (74 milhões de euros), beneficiando de garantias sobre ativos. O BMA é parceiro e financiador da SdC nestr programa de salvação

Na versão anterior do PER, a dívida bancária em euros sofria um corte de 60%, enquanto na denominada em kwanzas o perdão era menor (35%). No caso dos fornecedores, a dívida em moeda angolana não era afetada.

Convencer a CGD

O primeiro PER da SdC fora aprovado à tangente e contou com os votos contra da CGD, o principal credor. Desta vez, a administração acredita que a CGD votará favoravelmente.

A administração "desenvolveu intensas negociações com os principais credores, acolheu sugestões e está convencida que está a percorrer o caminho certo", diz ao Expresso, Joaquim Fitas, presidente executivo da SdC. O PER será votado no dia 27 de novembro.

Joaquim Fitas lidera uma operação de aquisição pelos quadros da SdC SGPS que marcará a saída do grupo de construção do universo de António Mosquito.

Venda da unidade em Moçambique

A nova versão do plano acolhe também novidades no financiamento da reestruturação da construtora.

Desta vez, o financiamento do BMA será apenas de 15 milhões de euros (45 milhões na proposta anterior) e conta com o encaixe de 20 milhões da venda da operação de Moçambique e mais 1,2 milhões resultantes de ativos em Portugal.

Em Moçambique, A SdC já conta com um acordo para alienar a sucursal local e o negócio será fechado dentro de dias.

No defesa do plano, a administração diz que um cenário de falência seria mais desfavorável para os credores porque a empresa apenas poderia dispor da receita resultante da venda dos seus ativos.

Se os credores aprovarem o PER, a SdC ganha um segundo fôlego e uma nova vida que lhe permitirá celebrar renascida. em 2018, o centenário.