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Tecnologia: Empresas vão ter de decidir como querem inovar

O painel de debate contou com a presença de Paula Panarra, diretora-geral da Microsoft Portugal, Pedro Silva Dias, presidente da Agência para a Modernização Administrativa, Pedro Rocha Vieira, co-fundador e CEO da Beta-i e Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec

António Bernardo

A sétima conferência Próximo Nível, organizada pelo Banco Popular e pelo Expresso, teve como tema o desafio de inovar nas empresas, tendo em conta todas as tecnologias que existem hoje no mercado e outras que estão agora a começar a desenvolver-se

Ana Baptista

Fazer inovação numa empresa não é tão simples como se pensa, principalmente agora que o mundo e a economia se estão a digitalizar rapidamente e que começam a surgir novas tecnologias, ainda mais disruptivas que as anteriores, como é o caso do Blockchain.

“A Blockchain já existe há 10 anos, mas só agora está a começar a desenvolver-se e já há várias empresas a usá-la. É uma tecnologia que mexe com a confiança e vai ter um impacto mais forte do que qualquer outra tecnologia que apareceu até agora”, disse Paulo Cardoso do Amaral, professor da Católica Lisbon School of Business & Economics, o primeiro orador do sétimo encontro Próximo Nível, promovidos pelo Banco Popular e pelo Expresso, e que decorreu esta terça-feira, em Lisboa.

E este impacto não será apenas nas empresas privadas, mas também nas do Estado. “O Blockchain é basicamente uma forma diferente de guardar dados com integridade, segurança e confiança e o seu uso foi precisamente no sector financeiro para que não dependesse de um banco central e isso é um desafio para o Estado, que assenta em registos centrais. A questão não é tanto o que trará de novo, mas se poderá ser mais eficiente que um registo central”, comentou o presidente da Agência para a Modernização, Pedro Silva Dias, outros dos oradores do debate desta manhã.

Mas o grande desafio das empresas não é apenas esta nova tecnologia da qual ainda pouco se sabe. A grande dificuldade será juntar esta tecnologia com as outras já existentes. Porque só assim será possível inovar verdadeiramente.

“Estas tecnologias já existem todas e agora é preciso saber como é que as vamos usar e isso também é inovação”, disse a diretora-geral da Microsoft Portugal, Paula Panarra, outra das intervenientes do debate. A opinião foi partilhada por Pedro Silva Dias, mas também pelo diretor-geral da Cotec, Jorge Portugal, que também esteve presente no encontro.

Aliás, para Jorge Portugal saber combinar todas essas tecnologias existentes, como a Internet das Coisas, o Big Data, a Indústria 4.0 ou a Gamificação, é o que “permite criar serviços associados aos produtos” e esse é um dos principais caminhos de inovação das empresas.

Mas para saber fazer isto e dar este passo em frente na inovação é preciso definir uma estratégia e é isso que tem faltado nas empresas, comentou o co-fundador e CEO da Beta-i, Pedro Rocha Vieira. Além disso, para este responsável, também “é preciso mudar a cultura” dos trabalhadores e da gestão, alguns dos quais ainda estão muito agarrados a antigas formas de crescer e de inovar.