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Da Web Summit para um mundo melhor

São grandes empresas e não andaram pela Web Summit à procura de investidores ou a fazer pitchs. Os seus stands, igualmente grandes, faziam publicidade às marcas mas também aproveitaram para dar de volta à sociedade

Quem tenha estado na Web Summit não terá ficado indiferente à árvore que cobria o stand da Navigator. A empresa portuguesa quis levar o papel a um evento de tecnologia. Isto é, a mensagem de que se não se usar papel não se plantam árvores, porque tudo é um ciclo e o do papel começa nas árvores. Debaixo da copa frondosa feita de cartões de papel a empresa, este ano parceira de sustentabilidade da Web Summit, prometia fazer a compensação de carbono. Não só deste evento, mas toda a pegada daqueles que visitaram o stand e deixaram os seus dados de consumo de carbono.

Atualmente é a maior gestora de floresta em Portugal e tem 180 mil hectares, com produções de sobreiro, pinheiro e eucalipto. O suficiente, diz, para compensar a pegada de carbono deixada pelos portugueses todos os anos. Mas depois de um evento desta magnitude com aviões que aterram e levantam a toda a hora, luzes acesas e música ligada dias seguidos é preciso mais e essa foi a parceria feita com a Web Summit.

As árvores, ou a falta delas, e os incêndios não passaram despercebidos a muitos dos 60 mil visitantes que estiveram no Parque das Nações durante os primeiros quatro dias da semana passada. Desde aplicações que procuram agilizar o processo de identificação de fogos, às sucessivas perguntas de como está a situação no país, este foi um dos temas que viveu à margem das grandes conferências.

E houve quem aproveitasse a atualidade do tema e a multidão para dar outra cor à mancha negra do país. O banco, literalmente, verde BNP Paribas gosta também de o ser de forma figurativa. E durante a Web Summit por cada três scans de QR codes uma árvore seria devolvida ao território português. Contudo em conversa com o Expresso Jean-Marc Pasquet, presidente executivo do banco em Portugal, salienta que esta não é uma iniciativa isolada. Neste caso a decisão de plantar árvores em Portugal vem na senda “da situação dramática que o país atravessou”. Mas que “não é única, faz parte da política do BNP Paribas e do programa de sustentabilidade”. E esse tem raízes fundas, começou há cinco anos e é mais do que fazer acordos, é também deixar de fazer alguns. “Não financiamos algumas atividades como, por exemplo, a do carvão.” Acrescenta que mesmo que isso possa significar perdas para o negócio, não se sentem responsáveis por participar em energias menos limpas. Preferem financiar as energias verdes. Explica que a política global do banco é procurar ser neutro nas emissões de carbono.

No ano em que Al Gore esgotou a Altice Arena, e foi recebido de pé, a sustentabilidade e a filantropia estiveram muito presentes nos vários momentos do maior encontro de empreendorismo e tecnologia da Europa. Até o vencedor do pitch final, a Lifeína, uma empresa de frigoríficos portáteis para vacinas, pretende melhorar a vida de muitos. Porque, como explicou o ex-presidente francês François Hollande, a tecnologia deve ser sempre para melhorar a vida das pessoas.

Foi exatamente na parte da Web Summit ligada aos projetos de responsabilidade social e filantropia que o Expresso encontrou Marc Buckley. O empreendedor do clima com quem falou da “beleza do impacto da sustentabilidade em saúde”. Estava na Web Summit a distribuir o livro, da Fundação Bayer, com o mesmo nome, que tem histórias de soluções inovadores com impacto a nível mundial, como a deteção de cancros cedo e de forma não invasiva até sanitas movidas a energia solar. Buckley está ali a representar a fundação e esse trabalho inclui procurar uma start-up na área da saúde que vá impactar o mundo. Nesse dia iria escolher uma empresa para entrar no programa de 2018 da Fundação. Programa esse que faz um concurso para várias empresas no mesmo estado inicial de desenvolvimento. Todas terão acesso a vários eventos pelo mundo onde podem encontrar financiadores. Terão também uma página neste livro e a vencedora conta ainda com 20 mil euros da Fundação Bayer.

Marc Bucley está ligado a vários programas de sustentabilidade social e ambiental. E explica ao Expresso que se eventos como a Web Summit não servirem para melhorar o mundo, nada servirá. Este ano não foi o único a pensar assim.