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Cerveja Super Bock duplica exportação para a China

Quarenta anos depois, a marca Unicer desaparece e dá lugar ao Super Bock Group. É uma transição que reforça a imagem externa e a vocação internacional

Com 11 anos de casa, Rui Lopes Ferreira deixa o seu nome ligado à fundação do Super Bock Group

Com 11 anos de casa, Rui Lopes Ferreira deixa o seu nome ligado à fundação do Super Bock Group

Lucilia Monteiro

No ano em que a Unicer muda de identidade para Super Bock Group, a exportação de cerveja para a China duplica e o negócio externo do conglomerado de bebidas luso-dinamarquês cresce 25%.

Mas primeiro vamos à transição de género. A três anos de celebrar o 130º aniversário, um terceiro movimento concede novo fôlego ao grupo que bebe da história da CUFP (Companhia União Fabril Portuense das Fábricas de Cerveja e Bebidas Refrigerantes) que a nacionalização do sector cervejeiro haveria de batizar, em 1977, de Unicer.

40 anos depois, adeus, Unicer-União Cervejeira, olá, Super Bock Group (SBG). A marca mais popular e que puxa pelo negócio (80% das vendas) cola-se ao rosto do grupo partilhado pela Carlsberg (44%) e Viacer (Violas, Arsopi e BPI).

A abertura do novo ciclo acontece num momento particularmente feliz e contou até com a bênção presidencial. Coincide com o encerramento, que aconteceu ontem, das comemorações do 90º aniversário do registo da Super Bock, abrilhantado pela presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Cultura de superação

É uma mudança que valoriza “as credenciais e raízes cervejeiras, aproveita a notoriedade e imagem de inovação da principal marca, indica o caminho que queremos seguir no futuro, alicerçado numa cultura super, de superação permanente”, justifica o presidente executivo, Rui Lopes Ferreira.

A opção é o reconhecimento de que a “marca se confundia com a empresa” e no exterior “os clientes já referiam o grupo como Super Bock e não como Unicer”. A nova identidade “reforça a vocação internacional, facilita a entrada em novos mercados e o desenvolvimento de novas categorias de bebidas”, acrescenta.

Mas atenção, a mudança não interfere com o rumo estratégico nem com o portefólio de negócios. O guião segue inalterado. O SBG permanece como um conglomerado de bebidas que não abdica de investir forte nas categorias que definiu como essenciais, como as águas e sidras. “Esse é um aspeto que teremos de gerir com delicadeza. Somos, de raiz, uma empresa de bebidas e isso permanece inalterado”. Por si só a mudança “não cria valor”, mas é uma ferramenta que “nos leva a novos patamares de ambição”,diz Rui Lopes Ferreira.

Há dois anos, a administração abriu um processo de reflexão e pesquisa de uma nova identidade, seguindo a pista da modernidade e da internacionalização. Em 2016, espelhou a sua visão no lema “Paixão local, ambição global”. A mudança para SBG “corporiza a mensagem implícita na visão corporativa”. O segredo está no “espírito de superação” partilhado pela comunidade laboral que, diz Rui Lopes Ferreira, permitiu “vencer vários impossíveis”. Como em 2015, quando após a implosão do mercado angolano o grupo conseguiu “superar a adversidade e sair da crise mais forte”.

O milagre chinês

Com a extinção da marca Unicer, a quem coube inaugurar, em 1989, o programa de reprivatizações, é um resquício simbólico da revolução de abril que segue para o museu. “Temos orgulho do nosso passado, não apagámos nada, é uma transformação pela positiva de quem não está amarrado a dogmas do passado. O que nos move é a eficácia”, diz Rui Lopes Ferreira.

Digerido o pesadelo angolano, o SBG vive sob o efeito do milagre chinês. Está em modo de prosperidade, duplicando todos os anos. A China tornou-se o primeiro mercado externo, superando o conjunto dos mercados europeus. Representa 40% das exportações — ou seja, 12% da receita global (€451 milhões em 2016). A componente exportadora vai, em 2017, representar 30% da receita — no pico da febre angolana atingira 45% das vendas. Em dois anos, o mercado angolano tornou-se residual, passando de €120 milhões para €5 milhões.

A ofensiva na China começou em 2009, focada na comercialização em hotéis e restaurantes de Whenzou, a capital de uma província com 54 milhões de habitantes. Agora, conta com 5 mil pontos de venda, em três províncias com 200 milhões de pessoas, abastecidos por um distribuidor local. “É um mercado de enorme potencial e para o qual temos grandes ambições”, diz Rui Lopes Ferreira.

Em 2017, o SBG beneficia de uma combinação favorável. No mercado doméstico um verão soalheiro e longo e a dinâmica turística aliaram-se para estimular o consumo de cerveja — até setembro o mercado subiu perto de 8% no canal da hotelaria e restauração, o segmento preponderante para a indústria cervejeira. No exterior, o negócio do SBG vai crescer 25%.