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“O trabalho de um transitário não se pode dissociar do produto que se importa e exporta”

O 16ª Congresso da Associação dos Transitários de Portugal (Apat), que contou com o apoio do jornal Expresso, terminou hoje com uma sugestão para as empresas serem mais proactivas nas mudanças que têm de fazer e com um alerta para os decisores não negligenciarem o sector

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

As empresas de transitários a atuar em Portugal fizeram, em 2016, vendas de €1,8 mil milhões, mas segundo um estudo da Câmara de Comércio apresentado esta manhã, para as as Pequenas e Médias Empresas exportadoras, a logística e o acesso a canais de distribuição só pesam 8% nos factores que as diferenciam internacionalmente. Ou seja, não se está a dar o devido valor ao trabalho dos transitários e à importância que o sector tem na economia e é essa percepção que é preciso mudar.

Foi com este alerta que o presidente da Associação dos Transitários de Portugal (Apat), Paulo Paiva, encerrou o 16ª Congresso, que decorreu esta sexta e sábado, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa. “Só recorre a um transitário para organização do transporte de mercadorias quem tem necessidades intrínsecas ao comércio internacional, e a resposta de um transitário tem de ser de tal forma eficiente a ponto de o cliente valorizar o seu trabalho como sendo uma parte que não se pode dissociar do produto que importa ou exporta”, disse no seu discurso final. Acrescentando: “O factor logístico é, muitas vezes, o grande diferenciador dos produtos, trazendo-lhes valor acrescentado, imprescindível num espaço/ambiente cada vez mais concorrencial. De nada nos adianta investir em Investigação e Desenvolvimento, termos as melhores tecnologias, o design mais atractivo, a melhor qualidade e um preço competitivo à saída da fábrica se, depois, não conseguimos colocar os produtos nos mercados internacionais. Neste factor logístico, os transitários têm um papel fundamental”.

Mas para que as empresas do sector possam fazer este trabalho e destacarem-se nos vários mercados é também necessário que elas estejam bem preparadas para as mudanças que se assistem na economia mundial. Ou seja, têm de estar atentas à digitalização e às novas tecnologias e ao crescimento de empresas como a Amazon, a startup Flexport, “cuja missão é a de se tornar a Uber da atividade de transitários”, ou mesmo a Uber que, “no EUA, já oferece serviços de camionagem e que ambiciona competir com transitários e transportadores rodoviários de mercadorias”.

Mas para que as empresas possam abraçar esta mudança, e precisam de ter infraestruturas adequadas e, isso, notou mais uma vez Paulo Paiva, não cabe às empresas, mas aos decisores.

“De toda a cadeia logística em Portugal, as infraestruturas aeoroportuárias, marítimas e ferroviárias são o elo mais fraco. As que estão em funcionamento actualmente desempenham a sua função, vão servindo, colocando maiores ou menores problemas aos seus utilizadores, condicionadas ao que os decisores políticos estabelecem como mínimo aceitável. Mas a aposta deveria ser um permanente desenvolvimento dessas infraestruturas, com adequados e criteriosos investimentos naquelas que se possam assumir como verdadeiras aceleradoras do crescimento da nossa economia. Sem conectividade não conseguiremos criar soluções afirmativas para a exportação dos nossos produtos”, comentou ainda no seu discurso final.