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É das grandes empresas que eles gostam mais

A A Google voltou a ser a empresa mais atrativa para os jovens portugueses

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Consultora Spark anunciou lista anual das 20 empresas favoritas dos jovens. Google lidera

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

É um puro mito a ideia de que é nas startups que os jovens portugueses querem fazer carreira. Os resultados do último estudo de employer branding (reputação de uma empresa enquanto empregador) “As empresas mais atrativas de Portugal”, promovido anualmente pela Spark Agency com o objetivo de conhecer as preferências dos jovens em matéria de empregabilidade e carreira, deitam por terra esta teoria. As duas edições anteriores do estudo também já a contrariavam. Entre as 20 primeiras posições da lista das empresas favoritas dos recém-licenciados portugueses não há uma única startup, só empresas de grande dimensão. É nelas que os jovens querem fazer carreira. A Google volta este ano a liderar o ranking.

Durante seis meses, mais de 3600 estudantes de Economia, Gestão, Engenharia e Tecnologia de universidades nacionais voltaram a participar num estudo abrangente promovido pela empresa de employer branding e gestão de talento Spark Agency, focado para conhecer as ambições de carreira dos jovens profissionais. As conclusões contrariam, segundo o CEO da Spark, Miguel Gonçalves, muitas das ideias que que têm vindo a ser veiculadas em relação às opções de carreira da nova geração de profissionais. A primeira delas é a de que é sua ambição integrar uma startup inovadora. “As últimas edições do estudo contrariam exatamente isto, demonstrando que as ambições profissionais dos jovens portugueses passam por integrar grandes empresas nacionais ou multinacionais, que ofereçam boas oportunidades de desenvolvimento de carreira e crescimento”, explica.

O mito da mobilidade

A lista das empresas consideradas como mais atrativas para trabalhar pelos jovens, é este ano liderada pelos gigante tecnológicos Google e Microsoft. O terceiro, quarto e quinto lugares desta lista são ocupados por empresas portuguesas, mas de dimensão internacional: Sonae, Jerónimo Martins e EDP. Uma opção que, segundo o CEO da Spark Agency, permite derrubar outro dos mitos associados às opções de carreira dos recém-licenciados portugueses: o de que procuram oportunidades de carreira internacionais e querem trabalhar fora. “Não é verdade. As conclusões do estudo demonstram que 79% dos jovens procuram oportunidades de carreira em empresas portuguesas ou com presença em Portugal para, a partir de cá, trabalharem com mobilidade internacional. Querem integrar equipas e projetos multiculturais, conhecer outros contextos empresariais, viajar, mas com uma base sempre em Portugal”, reforça o líder da agência.

O estudo recentemente divulgado inclui as listas das 100 empresas mais atrativas para alunos de Gestão e Tecnologias e, pela primeira vez, uma análise exclusiva dedicada aos alunos de Tecnologias de Informação e Comunicação, dando também a conhecer os critérios que os jovens utilizam para escolher as empresas onde querem trabalhar. Um aspeto que Miguel Gonçalves considera particularmente relevante num contexto em que “as empresas competem pelo talento com a mesma energia com que competem pelos clientes”.

A Google assume-se, à semelhança do que já tinha acontecido em edições anteriores, como a empresa mais atrativa para os jovens portugueses, independentemente da área de estudo. “O que não deixa de ser curioso se tivermos em conta que a equipa da Google em Portugal é muito pequena, pouco mais de dez elementos”, reconhece o CEO acrescentando que esta opção pela Google demonstra que “há uma associação muito grande, aos olhos dos jovens profissionais, entre a força de uma marca e o posicionamento dessa empresa enquanto empregador”. A edição deste ano fica ainda marcada por uma perda de atratividade das consultoras enquanto recrutadores, sendo que a KPMG foi a que manteve mais solidamente a sua posição no ranking geral.

Perspetivas de carreira

De um modo transversal, a totalidade das empresas que integram a lista das mais atrativas este ano realizam grandes investimentos anuais na captação e desenvolvimento de talento, através de programas de recrutamento e aproximação às universidades, direcionados para as camadas mais jovens de profissionais que, garante Miguel Gonçalves, “são cada vez mais considerados vitais para as grandes empresas que os encaram como fontes de inovação”.

Nesta missão de captar talento jovem, é fundamental para conhecer os seus objetivos de carreira e expectativas nas várias dimensões profissionais (ver caixa). O primeiro critério de seleção de uma empresa por parte de um jovem profissional, explica o CEO, “não é de natureza financeira mas sim de capacitação de carreira”. Por outras palavras, o que os jovens procuram é uma empresa que lhes dê capacidade de progressão de carreira. Já o que menos valorizam, é a possibilidade de aplicarem no quotidiano profissional os conhecimentos adquiridos na universidade.

O que tem o ‘patrão’ ideal

O estudo da Spark analisa a atratividade das empresas com base em 31 critérios. O financeiro não é o mais relevante

Para medir a atratividade das empresas, aos olhos dos jovens portugueses, a Spark Agency criou e testou uma escala de 31 critérios de atratividade que podem ser classificados em seis dimensões, de acordo com a natureza do valor que lhe é associado: Ambiental, Aplicação, Desenvolvimento, Económico, Interesse e Social. Se na primeira dimensão o estudo avalia o grau em que um indivíduo é atraído pelas preocupações e práticas de cariz ecológico do empregador, nas seguintes dimensões são avaliados a aplicação de conhecimentos académicos, o grau de desenvolvimento profissional que possibilita, a remuneração praticada, o ambiente de trabalho desafiante e a cultura empresarial e espírito de equipa.

Ganhar experiência que reforce a carreira e trabalhar num local onde o mérito e o desempenho sejam reconhecidos são as grandes prioridades dos jovens, à luz dos resultados deste ano. O estudo concluiu ainda que, entre os critérios mais valorizados pelos jovens na escolha da empresa, estão igualmente trabalhar num local caracterizado pela honestidade, justiça e respeito pessoal, o sentimento de orgulho em pertencer a uma empresa/organização, trabalhar num ambiente excitante e motivador, a empresa ser um trampolim para o desenvolvimento futuro, o reconhecimento do mérito e o trabalhar num local empreendedor, com práticas de trabalho inovadoras e com visão de futuro.

No outro prato da balança estão os critérios de atratividade considerados como menos relevantes pelos candidatos na escolha da empresa. Miguel Gonçalves resume-os ao profissional ter a oportunidade de ensinar aos outros o que aprendeu, a empresa encorajar o desenvolvimento contínuo de políticas ambientais, a gestão do impacto ambiental como parte integrante do negócio, a orientação para o cliente e a oportunidade do jovem aplicar quotidianamente o que aprendeu na universidade.