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Avenida da Liberdade a €10 mil por metro quadrado

Carlos Penalva e Francisco Quintela acreditam que existe margem para os preços crescerem em Lisboa

antonio bernardo

A zona do Chiado/Santa Catarina surge em segundo lugar, com valores entre os €5,5 mil e os €8,5 mil euros/m2

A Avenida da Liberdade é a zona mais cara da capital, com valores que podem ir dos €6 mil a 10 mil euros/m2, seguida do Chiado/Santa Catarina com valores entre os 5,5 e 8,5 mil euros/m2.

Os dados são da consultora imobiliária Quintela & Penalva (Q&P), que tem a sua atividade centrada em Lisboa e no Estoril, sobretudo no segmento das casas de luxo. A subida de preços a que se tem vindo a assistir não só nas zonas centrais de Lisboa e Porto como em todo o país está a fazer com que os compradores se comecem a encaminhar para outras zonas até agora menos procuradas, como a Penha de França ou a Avenida Almirante Reis, no caso da capital, nota Francisco Quintela, um dos sócios daquela consultora.

“Se tudo se mantiver como está, com as perspetivas do turismo e dos investidores, Lisboa tem margem para crescer independentemente de ter margem de expansão de construção ou não”, sublinha o outro sócio da empresa, Carlos Penalva.

O ano de 2017 tem sido bom para o mercado imobiliário e em especial para o segmento de luxo. Até setembro deste ano a Q&P, atingiu um volume de vendas de €117 milhões, depois de no ano passado ter alcançado os €84 milhões. Os clientes portugueses são responsáveis por mais de metade do seu negócio e o preço médio de venda de habitação atingiu já os €833 mil quando no ano passado ficou nos €795 mil.“

Fala-se muito dos estrangeiros, mas os portugueses representam 59% do nosso negócio”, explica Francisco Quintela que juntamente com Carlos Penalva criaram em 2004 esta empresa especializada na comercialização (venda e arrendamento) de imóveis premium, maioritariamente da área residencial. Este número justifica-se, na opinião de Carlos Penalva, pelo facto de os portugueses encararem o imobiliário como um bom negócio e que apresenta taxas de rentabilidade mais atrativas perante outros ativos.

Apesar da Q&P ter uma base forte de clientes nacionais, os estrangeiros têm vindo a ganhar terreno, sendo atualmente responsáveis por 41% do seu negócio, quando em 2016 representavam 26%. “Brasileiros, franceses, suecos e angolanos estão no top das nacionalidades com quem mais trabalhamos”, refere Carlos Penalva. Mas são perto de 30 as nacionalidades com que negoceiam e, além das já focadas, têm tido compradores de países tão diferentes como a República Dominicana, Marrocos ou mesmo Malásia. Para este sócio da Q&P Portugal é um país atrativo, com qualidade de vida, bom clima e segurança e ainda é mais barato em comparação com outros países europeus. Itens que continuam a atrair estrangeiros, não só para a compra de produto finalizado, como também de promoção.

Portugal atrativo 
para estrangeiros

Os sócios da Q&P contam que têm entre os seus clientes que procuram imóveis para reabilitar ou terrenos para construir investidores iranianos, israelitas, libaneses e líbios. “O bolso deles é maior do que o europeu e é por vezes complicado fazer o investimento porque querem comprar em quantidade que não existe”, explica Francisco Quintela. A prevalência nesta área de dinheiro do Médio Oriente deve-se ao facto de quererem encontrar novos nichos de mercado para onde possam retirar capitais e arranjar um porto mais diversificado e seguro para os seus negócios.

Mas para que os estrangeiros continuem a encarar Portugal como uma possibilidade de negócio é importante, na visão destes sócios, que o Governo mantenha a estabilidade fiscal, já que a turbulência nesta área poderá afastar quem quer investir no país.

Se comprada com outras capitais europeias Lisboa é mais barata, isso não significa que não atinja preços elevados. No entanto, estes dois mediadores afastam o cenário de bolha imobiliária e acreditam que ainda há espaço para os preços crescerem na capital. “Estamos numa fase de maturação do próprio mercado em que os preços estão a subir, já que eram muito baixos”, explica Francisco Quintela.

2000 imóveis em carteira

Atualmente, a Q&P tem perto de dois mil imóveis em carteira e na perspetiva dos sócios não há escassez de produto em Lisboa. Contam mesmo que há imóveis a serem terminados e outros estão já projetados. Quanto a números e até ao final do ano “esperamos dar a conhecer ao mercado entre 15 a 20 empreendimentos novos, com uma média de 15 a 20 apartamentos, sendo todos em Lisboa e apenas um em Cascais/Estoril, local com alguma escassez de produto, onde o que aparece se vende logo”, salienta Francisco Quintela. Situação que se reflete no preço, sendo que neste mercado o valor médio por m2 anda entre os 5 e os 12 mil euros.

Embora não sejam zonas prioritárias da sua atuação, a Q&P conta com algum produto fora de Lisboa e Cascais. É que no bom momento que o imobiliário nacional atravessa os estrangeiros querem investir da costa alentejana até Sagres, tanto para primeira como segunda habitação, ou mesmo na ótica de puro investimento. Há cerca de um mês a Q&P abriu a primeira loja no Porto, na Boavista. “É um mercado mais barato do que Lisboa, mas a oferta é maior nomeadamente na área da reabilitação urbana, com muitos prédios para recuperar”, explica Francisco Quintela. E é nesta área que irão atuar, na procura de oportunidades de investimento em promoção imobiliária para os seus clientes.